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Cláudia Varejão. Em pontas no escurinho do cinema

Cláudia Varejão. Em pontas no escurinho do cinema

DR Raquel Carrilho 13/01/2016 11:04

Os quase 40 anos da Companhia Nacional de Bailado celebrados no filme “No Escuro do Cinema Descalço os Sapatos”

Mexermo-nos é fácil. Ou pelo menos pode ser ensinado, treinado, construído. Mas o que nos faz mexer? O que está no âmago de alguém que dedica toda a sua vida ao movimento? Que, de forma devota, religiosa, se entrega ao esforço extremo. Sem, no entanto, voltar costas à elegância.

É daqui que parte “No Escuro do Cinema Descalço os Sapatos”, um filme de Cláudia Varejão, com som de Adriana Bolito, produção de João Matos, montagem e misturas de Hugo Leitão, e pós-produção de imagem de Paulo Américo, que resulta de uma encomenda da Companhia Nacional de Bailado (CNB) e é apresentado pela primeira vez no dia 14 (e patente até dia 24), no Teatro Camões, em Lisboa, juntamente com a peça “Portrait Series I: Miguel”, um solo criado por Faustin Linyekula para o bailarino Miguel Ramalho, e que marca o arranque da bienal Artista na Cidade.

Esta criação - que rouba o título a um poema de 1999 de Adília Lopes, “Verdes Anos” - surge no âmbito das comemorações dos 40 anos da CNB e é o culminar de um período de 12 meses durante o qual Cláudia Varejão acompanhou o trabalho da CNB, a pedra basilar da produção de dança em Portugal.

Natural do Porto e formada em Cinema, Cláudia Varejão não é uma novata no campo do Teatro e da dança, tendo já inúmeras vezes filmado estas artes de palco. Ainda assim, a autora da curta documental “Falta-me/ Wanting”, recentemente tem dedicado o seu trabalho sobretudo à ficção, com a trilogia de curtas-metragens “Fim de semana/ Weekend”, “Um dia Frio/ Cold Day” e “Luz da Manhã/ Morning Light”, e está em pós-produção da sua primeira longa-metragem.

Neste “No Escuro do Cinema Descalço os Sapatos” acompanha ao pormenor o quotidiano dos bailarinos de uma companhia onde os clássicos convivem com as criações mais contemporâneas, lançando assim desafios maiores aos profissionais que ali dançam. Dos bailarinos aos coreógrafos, músicos, ensaiadores, costureiras e restantes técnicos.

Este é um filme que preserva a poesia associada a uma arte como a dança, não negando, no entanto, o esforço que lhe é associado. Aqui fica clara a luta diária de cada bailarino. A dança é uma arte tortuosa, que exige um trabalho rigoroso de grupo, mas também individual. É uma batalha constante, silenciosa, solitária. Para que o coletivo funcione, o individual tem de encontrar-se também. Há força, mas vulnerabilidade e fragilidade em cada bailarino, e é também isto que este filme ilustra na perfeição. Seja em pontas, em saltos altos, ou simplesmente descalços.

Uma oportunidade para os apaixonados por dança para conhecerem por dentro a mais antiga companhia de dança do país, e os percursos dos seus bailarinos, mas também para todos aqueles que ainda não se deixaram enamorar por esta arte.

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