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Sporting. Slimani, o rei da relva

Sporting. Slimani, o rei da relva

Steven Governo/AP Hugo Alegre 05/01/2016 13:33

Era para ser Ghilas, veio Slimani, à beira da melhor época de sempre em Portugal. No problemo. E não é o único a render mais, o efeito JJ começa a fazer efeito. O i foi saber o que mudou em Alvalade

O anúncio chegou pelo próprio jogador nas redes sociais: “Está feito. Estou no Sporting por quatro anos”, tweetou Islam Slimani a 7 de agosto de 2013. Os adeptos leoninos torceram o nariz à contratação do avançado - o terceiro reforço depois de Montero e Cissé - que chegava a Alvalade do CR Belouizdad (quem?) da Argélia, por 300 mil euros. “Sli quê?”.

Era mesmo caso para isso, a prioridade do presidente Bruno de Carvalho era Ghilas, o ponta-de-lança sensação do Moreirense. E até havia um pré-acordo assinado. Problema: o FC Porto (quem mais?) meteu-se ao barulho e levou o compatriota de Islam na seleção argelina para o Dragão por quase 4 milhões. Um valor incomportável para os cofres dos leões.

Lá teve de vir Slimani. Mas o preço low cost gerava dúvidas quanto à qualidade. Abrir parêntesis (dois anos antes, a direção de Godinho Lopes havia oferecido 5,4 milhões aos holandeses do Utrecht por Ricky van Wolfswinkel - 18 vezes o valor pago pelo argelino). Fechar parêntesis.

Três épocas depois, o avançado argelino chutou a desconfiança para canto e tornou-se o homem em destaque no reino do leão. Está a apenas sete golos de ultrapassar o lobo holandês (45 golos em 88 jogos entre 2011-13), o maior artilheiro do Sporting ainda em atividade. Os dois golos decisivos que marcou este sábado no clássico com o FC Porto (2-0) são apenas um aperitivo de uma época que tem sido até agora de sucesso para Slimani, já festejou por 10 vezes no campeonato e foi decisivo em seis pontos do total de 38 que deixam os verdes-e-brancos no topo da tabela à passagem da 15.ª jornada.

Mas não é caso único neste plantel, à imagem de Jorge Jesus. Paulo Oliveira e Naldo têm formado uma muralha de betão, à frente da baliza defendida pelas luvas de (mais betão?) Rui Patrício (7 golos sofridos, a melhor defesa do campeonato). No meio-campo, a dupla Adrien-João Mário tem dado mais gás do que na época passada. Há mais entrega e combatividade (músculo?) nos jogadores do Sporting, consistência defensiva e eficácia no ataque. E até a tão famosa nota artística, que nasceu do outro lado da Segunda Circular, parece mostrar-se a espaços.

Será do novo treinador?

É que esta história dos jogadores renderem o dobro com Jesus não é nova. Já era assim no Braga (2008-9) e mais recentemente no Benfica (2009-15). O i foi procurar respostas junto de Toni, o antigo treinador campeão nacional pelo Benfica, para quem os leões são “a equipa que melhor está a jogar em Portugal”. Uma dinâmica que diz ter começado a ser construída nos últimos dois anos.

“O Sporting tem uma base que vem de trás, de um trabalho desenvolvido pelo Leonardo Jardim e pelo Marco Silva. A chegada de Jesus trouxe o efeito de tudo o que fez no Benfica: resultados. Com algumas aquisições cirúrgicas, como o Bryan Ruiz, o Aquilani ou o Naldo, melhorou substancialmente os problemas que transitaram dos outros treinadores”, começa por explicar Toni, que formalizou recentemente a sua saída do Tractor, no Irão.

Para o técnico português, de 69 anos, o efeito ‘Jorge Jesus’ em Alvalade nasce da “cultura de vitórias” que transporta do Benfica e da relação que conseguiu criar com o plantel. O trabalho de campo também ajudou. “Através dos treinos, os jogadores começam a acreditar na sua forma de trabalhar, de liderar, e cria-se uma cumplicidade, sintonia com toda a estrutura do futebol e um ambiente de vitórias e confiança na equipa. É o que está a acontecer no Sporting”, diz Toni.

Muito por culpa da “paixão, conhecimento, experiência e cunho pessoal” que Jesus consegue transmitir aos seus pupilos, o que lhe dá todo o mérito no rendimento das equipas que treina. A forma intensa como vive o futebol e o trabalho psicológico que desenvolve ajudam a explicar o sucesso.

“Os jogadores acreditam nele. Têm confiança. É ver a forma como jogam e falam. Não é só porque há um estalar dos dedos. Os próprios adeptos veem-se envolvidos nesta onda, acreditam na qualidade que o futebol do Sporting apresenta”, acrescenta Toni.

Prova disso foi a assistência no clássico com o FC Porto do passado fim de semana: 49 383 adeptos, a maior assistência de sempre em jogos oficiais disputados em Alvalade. Estão em euforia. Pela 36.ª vez, um grande bateu os dois maiores rivais na primeira volta da Liga. Em 23 ocasiões chegou para essa equipa se sagrar campeã. O leão adormecido parece estar a acordar, ao som do chicote de Jesus.

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