4/4/20
 
 
Catalunha dá exemplo a Madrid. Toca a votar outra vez

Catalunha dá exemplo a Madrid. Toca a votar outra vez

Nuno Escobar de Lima 04/01/2016 22:39

CUP rejeita dar posse a Mas. O nacionalista tem uma semana para decidir se sai de cena ou convoca eleições

Depois do insólito empate a 1515 votos há uma semana, a Candidatura de Unidade Popular (CUP) decidiu ontem manter a rejeição à tomada de posse de Artur Mas, o líder nacionalista catalão que assim se vê impedido de iniciar um novo mandato apesar da vitória alcançada a 27 de Setembro.

“Existe uma maioria para avançar rumo à independência mas não há consenso sobre um candidato”, anunciou Sergi Saladié, um dos dez deputados eleitos pela nova formação nacionalista e anti-capitalista que poderiam dar maioria no Parlamento catalão aos independentistas do Junts Pel Sí (JxSí).

As duas listas nacionalistas somam 72 dos 135 deputados catalães e logo após a votação de 27 de Setembro assinaram em conjunto a declaração de “início de processo de criação do Estado catalão independente” - a grande promessa eleitoral de Artur Mas, líder da Generalitat desde 2010.

Mas a CUP também tinha prometido um caminho para a independência sem Artur Mas, um dirigente que consideram responsável pela política de austeridade dos últimos anos e veem rodeado de uma estrutura manchada por sucessivos casos de corrupção.

Poucos dias depois da votação, o líder da CUP, Antonio Baños, sugeriu o nome de Raul Romeva, um ex-eurodeputado do partido ecologista que encabeçou a lista do JxSí, mas os 62 deputados da coligação nacionalista decidiram manter a aposta em Mas.

A discussão interna entre quem dá prioridade ao projeto independentista e os que não abdicam de uma nova liderança que rompa com o passado recente arrastou-se durante três meses, com o auge alcançado no plenário que na semana passada juntou mais de 3 mil militantes e adiou a decisão devido a um empate muito pouco provável.

Ontem, após uma reunião que juntou apenas os 69 membros do Conselho Político, foi aprovada por seis votos (36 a favor e 30 contra) a proposta de ver os dez deputados da CUP absterem-se na próxima tentativa do JxSí em eleger Artur Mas. A votação terá de ser realizada até ao próximo sábado, dia 9. Se Mas não garantir a maioria necessária o parlamento catalão será automaticamente dissolvido no dia seguinte, tornando obrigatória a realização de novas eleições.

“Ele disse que nunca seria um obstáculo para o avanço rumo à independência”, recordou Saladié numa das várias declarações de dirigentes da CUP que ontem passavam a bola para o lado do Junts Pel Sí. “Nós fizemos tudo o que podíamos”, disse Gabriela Serra. “Este não é o cenário que desejávamos”, admitiu a deputada eleita pela CUP, lembrando a vontade da formação em aproveitar a “maioria independentista” ditada pelos resultados de setembro. “Sobram dias para que eles se mexam”, lembrou Serra em novo apelo à “mudança de candidato” por parte do JxSí.

Mas do outro lado da barricada ninguém se mostra disposto a mexer. Vários jornais espanhóis citavam ontem fontes do JxSí a garantir que “não existe um candidato alternativo”. E as primeiras reações mostravam a intenção de deixar o ónus da repetição de eleições para a CUP. Começando por Carme Forcadell, que dói eleita presidente do parlamento com os votos dos anti-capitalistas: “Sempre pensei que à ultima hora a CUP ajudaria a tornar realidade o mandato democrático de 27 de setembro. Não foi assim, equivoquei-me e muito”.

Já Oriol Junqueras, o líder da Esquerda Republicana (ERC) que se juntou à Convergência de Artur Mas no JxSí, garantiu que os independentistas “nunca se renderão”. E a posição da ERC, que em setembro surpreendeu ao aceitar juntar-se ao centro-direita de Mas, será fulcral para o lançamento da mais do que provável repetição de eleições.

Se a coligação se desfizer, é de prever que a Convergência seja a formação mais castigada pela forma como o seu líder se agarrou ao poder e desperdiçou uma maioria independentista no parlamento. Mas Junqueras também corre riscos, pois pode ver o eleitorado de esquerda virar-se para a CUP, no caso dos independentistas, ou para o En Comú Podem, o braço regional do Podemos liderado pela autarca de Barcelona, Ada Colau.

Segundo noticiava ontem o “Okdiario”, as várias sondagens internas dos partidos que antecipavam a possibilidade de nova votação “tinham como denominador comum o bom resultado que obteria Ada Colau”, incluindo “algumas” que previam “uma vitória” do Podemos na comunidade catalã. Um cenário que tornaria a antiga ativista na primeira mulher da história a dirigir a Generalitat. 

 

Ler Mais

Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×