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Publicidade. Lembra-se destes anúncios?
Uma imagem  do anúncio Aldeia Global da Optimus em 2012

Publicidade. Lembra-se destes anúncios?

Uma imagem do anúncio Aldeia Global da Optimus em 2012 DR Mariana Madrinha 25/12/2015 18:47

“E depois”, diz a menina de olhos azuis com a sua voz de criança. É assim que começa o anúncio de Natal mais famoso de sempre da história da televisão portuguesa.

Tão famoso que esteve no ar durante 18 anos consecutivos. “Depois estava o peixinho, veio o gato e comeu--o. Mas veio o cão e o gato teve de se esconder”, continua o avô, bonacheirão, enquanto dá umas trincas no cão. E no gato e no peixe, já agora. O ambiente é mais do que acolhedor. Uma versão instrumental de Christmas Tree toca, a lareira está, obviamente, acesa. “Não, não, o coelhinho veio com o pai natal e o palhaço no comboio ao circo”, diz a menina, salvando assim os bichos do apetite voraz do avô. Já descobriu? Falamos do anúncio dos chocolates de leite “Fantasias de Natal” da fábrica de chocolates Imperial, de 1980. Uma animação de um comboio passa a apitar, a música termina harmoniosamente e assim se fez o anúncio de Natal mais reconhecido de sempre na história do país.

Outro dos clássicos dos anos 80 também jogava no campeonato da doçaria. Aqui, o protagonista era o próprio pai Natal, que lê as cartas das crianças para satisfazer os seus pedidos. Mas os miúdos dos anos 80, aparentemente, não queriam brinquedos, mas antes caixas de bombocas. Sem estes doces em stock, o pai Natal lá vai - à boa maneira portuguesa - fazer compras de última hora. Claro que a loja acabou de fechar. O velho das barbas brancas bem se esforça e bate no vidro, mas a resposta do dono - que não traz boas notícias para as crianças -, ficou na memória de muitos portugueses: “Ah! Bombocas? Só há estas, são para mim!”.

Coca-Cola, a marca do natal

Estávamos a meio da década de noventa quando uma fila de camiões encarnados e devidamente iluminados - que percorrem um cenário cheio de neve - irrompem pelos televisores portugueses. À medida que os camiões passam, as luzes das casas acendem-se e as pessoas que esperam dentro dos carros sorriem embevecidas, nada preocupadas com o trânsito criado pelos veículos. Afinal, aqueles camiões carregavam o próprio Natal. Tudo isto embalado por uma música cheia de ritmo, um verdadeiro jingle natalício, adaptado à marca que representa: always, Coca-Cola. A Coca-Cola é, indubitavelmente, uma das marcas que se associa ao Natal, e não é por acaso: este foi um caminho que os responsáveis da marca começaram a trilhar bem cedo. Desde 1931 que a gigante americana se tornou um dos símbolos mais fortes da quadra, ao aplicar um golpe de marketing que hoje pode ser considerado genial, mas à partida tinha tudo para ser um risco: vestir um velhote com roupas de duende encarnadas e torná-lo numa das figuras mais acarinhadas do Natal em todo o mundo não era o desfecho mais óbvio da história. Mas foi isso que aconteceu. E a verdade é que não há ninguém que não tenha (nem que seja) uma vaga memória visual deste pai Natal da Coca-Cola, que surgia animado no último camião da fila, a brindar com uma garrafa de vidro aos telespetadores. “Realiza o teu sonho de Natal”, desejava a voz que aparecia no fim.

Telemóveis

Se os anúncios dos anos 90 da Coca-Cola caíram particularmente no goto nacional, há um de 1995 da área das telecomunicações que pode não associar diretamente à quadra, mas a verdade é que surgiu no meio televisivo na altura do Natal há precisamente 20 anos. O cenário é campestre, com ovelhas a pastar num prado verdejante. Guardadas, claro, por um pastor. Subitamente toca um telemóvel - uma raridade à altura. E a voz do pastor ouve-se, com sotaque carregado, proferindo a frase que poria milhares de portugueses a atender o telemóvel com “Tou xim!”. O anúncio Telecel celebrizou Edson Athayde como guru da publicidade e pôs os portugueses a comprar telemóveis. Ainda hoje são um dos presentes mais desejados. E João Vaz, o ator que deu corpo e voz ao pastor, nunca mais se conseguiu descolar totalmente daquela personagem, como dirá em diversas entrevistas desde a data.

Vários anos mais tarde e um milénio depois no que respeita à evolução da tecnologia, há outra marca portuguesa do ramo das telecomunicações a destacar-se na publicidade escolhida para esta altura do ano. O mote era “All together now” e a marca era a Optimus, que em maio de 2014 se fundiu com a ZON, dando assim lugar à NOS. Mas em 2011, um flashmob no Largo Camões, em Lisboa, seria replicado e a música dos Beatles entra novamente na moda”. One, two, three, four, Can I have a little more, Five, six, seven, eight, nine, ten, I love you”, canta um coro com vozes líricas, de uma varanda forjada virada para o Camões. As pessoas gostaram, e como em equipa vencedora não se mexe a Optimus usa, no ano seguinte, o mesmo tema numa “Aldeia Global”. Rui Reininho, Carminho, Moonspell e Roberto Leal, ajudados pelas vozes de habitantes de aldeias típicas portuguesas, cantam novamente “All together know”. E ganharam novamente: o Natal de 2012, foi Optimus.

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