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Um treinador sem carisma, mas raçudo

Um treinador sem carisma, mas raçudo

14/12/2015 13:34

Chegou com fama de formador de jogadores, até pelo seu passado nas camadas jovens, mas tem-se revelado uma enorme desilusão. Estará a porta da saída aberta para o treinador basco? Tudo indica que sim...

Há personagens que carregam um estigma que as impossibilita de chegar mais longe. Podem ser muito bons tecnicamente, dominarem os assuntos da sua área, mas falta-lhes algo que, para comandar pessoas, é fundamental: carisma. O treinador do FCPorto é um belo exemplo desses comandantes que ficam sempre à porta de conseguirem alguma coisa. Não se duvida que percebe de futebol, que tem preparação para o cargo, mas não é suficiente para levar a equipa aos triunfos do passado.

Tem um ar amargo, parece que todos lhe devem e ninguém lhe paga, a sua ligação com os sócios do Porto é quase inexistente ou quando a há é má, e tem ainda o péssimo hábito de se desculpar com os outros quando perde. Estando o clube habituado a vencer – nos últimos 30 anos não deve haver muitas equipas no mundo que tenham ganho tanto – é pouco natural que os adeptos se conformem com tantas derrotas ou ausência de vitórias em provas importantes. Na gíria futebolística diz-se que tem pé frio ou que não consegue motivar o mais risonho dos jogadores.

Envolve-se em polémicas onde sai quase sempre a perder, pois é raçudo, mas entra à queima e acaba por se deixar enrolar. É certo que Pinto da Costa – e Filipe Vieira também – acredita que com ele como presidente qualquer treinador se arrisca a ser campeão. O que não é verdade como se vê. Até pode ser que Julen Lopetegui consiga dar a volta ao texto e chegue à frente do campeonato no final, mas parece-me muito improvável que um homem que tem perdido com os seus rivais mais directos como nenhum outro treinador dos dragões consiga transformar-se e levar o clube às vitórias.

Esta semana foi afastado da Liga dos Campeões quando a duas jornadas do fim ia em primeiro lugar destacado. Numa cidade que gosta de se fundir com o clube e onde os adeptos vivem apaixonadamente o fenómeno da bola, o treinador tem de ser um catalizador de vontades, levando tudo atrás. Qual foi, por exemplo, um dos segredos de José Mourinho quando passou pelo Porto? Precisamente puxar os sócios para o seu lado como se fossem uma seita. É verdade que no final teve problemas, mas ninguém se vira contra o criador sem sofrer as consequências.

Lopetegui até é capaz de ser muito bom a formar jovens jogadores, mas os mais “crescidos” não vão em conversa mole, até porque se acham umas grandes estrelas. E aí é preciso alguém com carisma para os colocar no lugar.   

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