26/7/17
 
 
Raquel Carrilho 13/12/2015
Raquel Carrilho
Cultura

raquel.carrilho@newsplex.pt

O prazer do verbo ir

Sempre gostei de viajar. Gosto de escolher o destino, de preparar (ou nem por isso) a viagem, gosto do nervoso miudinho que antecede a partida... Gosto da descoberta. 

Acho que viajar é o derradeiro teste. É um teste a nós próprios e à forma como lidamos com a diferença, mas também como lidamos com a distância da nossa zona de conforto. E é um teste às amizades - quando viajamos com amigos - e aos amores - quando viajamos com aqueles que nos ocupam o coração.

Quando era criança, tinha a fantasia de poder conhecer todo o mundo. E sempre que entrava num aeroporto sentia-me tomada de assalto por uma necessidade descontrolada de perguntar a todos os que ali estavam de onde vinham, para onde iam, como tinha corrido. Queria saber o que tinha vivido. E, dessa forma, também eu lhes roubar um pouco dessas experiências.

Claro que a verdade é que nunca fiz estas perguntas a ninguém. Mas ainda hoje, sempre que estou num aeroporto, tenho a mesma vontade. E tenho a mesma vontade de partir, de ir, de conhecer o resto do mundo.
Mas nem tudo em mim se manteve igual.

Se há uns anos raramente tinha vontade de regressar a casa, e por inúmeras vezes dei por mim a programar uma vida no estrangeiro, a verdade é que hoje em dia não sinto o mesmo. Da mesma forma que tenho o prazer de partir, descobri o prazer de regressar. Descobri o prazer da minha cidade, do meu país, dos meus. Daqueles, os tais, que me ocupam o coração.

Não sei se isto significa que estou mais velha e menos aventureira. Se significa, não há nenhum problema. Estou bem assim.Descobri que o voltar me pode fazer sorrir ainda mais do que o ir. E que a viagem é sempre boa.  

raquel.carrilho@ionline.pt

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