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Metro. Maquinistas recebem subsídio para abrir e fechar as portas

Metro. Maquinistas recebem subsídio para abrir e fechar as portas

José Fernandes Sofia Martins Santos 11/12/2015 10:53

Os maquinistas do Metropolitano de Lisboa recebem, em média, mais de 2000 euros. Sem contar com encargos sociais e remunerações variáveis, a Transportes de Lisboa confirmou ao i que um maquinista ganha 1433 euros, que ainda levam um acréscimo de vários subsídios. O subsídio de refeição, que segundo o Acordo de Empresa é de 10,35 € (por dia) e ainda um subsídio de Agente Único, por ser responsável pela abertura e fecho de portas, que corresponde a 30% do vencimento mensal, ou seja, 429 euros. 

Mas existem ainda outros componentes salariais do vencimento mensal dos maquinistas: prémio de assiduidade no valor de 68 euros, um subsídio de turno no valor de 59,48 euros, um subsídio de kms percorridos, no valor de 0,09 por km.

De acordo com a Transportes de Lisboa, “cada maquinista trabalha um total de seis horas diárias, dividido por dois horários com intervalo mínimo de uma hora. Cada período é composto por um máximo de 3,5 horas de trabalho.

Mas outros valores mostram-se igualmente acima da média. Por exemplo, uma secretária de administração recebe 1884 euros mais 25% de isenção de horário de trabalho.

Já no caso dos maquinistas de manobras, o valor é de 1403 euros mensais, mais todos os subsídios, sendo que recebem ainda 45 euros por cada 500 km percorridos.

Um fiscal ganha 1217 euros, um motorista 1217 euros e um agente de tráfego 1131 euros.

Valores que estão muito acima da média nacional que era de 813 euros, em 2014, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística. Perto de 1,2 milhões de portugueses ganhavam menos de 600 euros.

Anabela Carvalheira, da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans), disse ao i que este salário dos maquinistas, que são “cerca de 200”, é justificado pela supressão de categorias profissionais. “Nesta altura, um maquinista tem esse salário porque tem duas profissões: a de maquinista e de factor (que foi extinta e que era responsável pela abertura e fecho das portas). Foi feita uma negociação séria”, afirma Anabela Carvalheira, sublinhando que obrigou a polivalência.

“Desde 2010, houve uma redução de salários e os trabalhadores viram as suas carreiras congeladas. Os ordenados mínimos é que são uma miséria mas também existem pessoas que ganham bem mais do que os trabalhadores do metro”, explica, acrescentando: “A dívida histórica do metro é fruto dos governos e do endividamento para taparem os Orçamentos de Estado. Políticas ruinosas. O Metropolitano de Lisboa durante seis anos, antes de 2009, foi considerado uma das melhores empresas no sector. O que está a acontecer não é por causa dos trabalhadores”, sublinha ainda.

De acordo com o Relatório de Contas de 2013, existiam 1451 efectivos. Sendo que os gastos com pessoal foram de 86,3 milhões de euros, mais 14,7% do que em 2012.

Em 2001, Mário Centeno, actual ministro das Finanças, regressou ao Banco de Portugal e realizou um estudo, em conjunto com Pedro Portugal, para o boletim económico, sobre os salários da Função Pública, que desde então já sofreram cortes, e esclarecia: “Não sendo possível avaliar a influência de todos os factores, parece seguro avançar com a proposição de que o regime salarial dos funcionários públicos é mais vantajoso do que o dos trabalhadores do sector privado. Esta conclusão é reforçada pela constatação da quase inexistência de saídas voluntárias na função pública e pela indicação de fluxos de candidatura muito significativos.”

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