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Marcelo: “Era feliz não sendo candidato presidencial”

Marcelo: “Era feliz não sendo candidato presidencial”

David Clifford Margarida Davim 08/12/2015 10:59

O candidato diz que deseja que a solução de Costa “dê certo” e lança farpas a Cavaco

Para quem à direita espera eleger um Presidente que ataque a legitimidade política do governo de António Costa, Marcelo tem uma resposta clara: “O Presidente da República não tem de assumir essas dores [dos partidos]. Deve estar acima disso.”

Confiante de que vai ganhar – “só não sei se a vitória à primeira volta será suficientemente folgada para não ir à segunda volta” –, Marcelo Rebelo de Sousa apresentou-se ontem, na sua primeira grande entrevista como candidato, como um Presidente que não será presidencialista “no sentido de se substituir ao primeiro-ministro”, mas também não pretende ser um mero espectador nem “um simples funcionário do cartório notarial” sem qualquer intervenção.

“Corro o risco de ser considerado hiperactivo”, assumiu, explicando que a sua magistratura será de “intervenção preventiva”. Por outras palavras, Marcelo quer ser um Presidente em permanente contacto com partidos e parceiros sociais, “e não só quando há crises”. Essa tem de ser, para o candidato, “uma tarefa diária”.

O professor, que fez questão de dar a entrevista à SIC na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, tentou distanciar-se do comentador televisivo, mas não resistiu a afirmações críticas à actuação de Cavaco Silva, quando defendeu que prevenir as crises políticas “implica contactos prévios” e não as audições nos moldes em que as fez o actual inquilino de Belém. Marcelo, que não quis dizer se estará disponível para um segundo mandato, deixou palavras de apoio a Costa: “Eu espero que esta solução dê certo”.

Elogiando a forma como Passos Coelho assumiu a governação do país “em tempos muito difíceis”, Marcelo Rebelo de Sousa assumiu, contudo, as “consequências graves” do programa de ajustamento. “Aumentaram as desigualdades, aumentou a pobreza, aumentou o risco de pobreza”, reconheceu o candidato, que acabou por retomar o “triplo desígnio” anunciado por António Costa na apresentação do seu programa de governo. Para Marcelo, aquilo de que o país agora precisa é de “mais emprego, mais crescimento e mais justiça social”, desde que isso se compatibilize com “um equilíbrio financeiro mínimo”.

A três dias de receber o apoio formal de PSD e CDS, o candidato quis apresentar--se como independente. “Aceito e agradeço os apoios que vierem”, disse, para logo em seguida frisar que o apoio partidário “não vincula em nada” a sua candidatura. De resto, o professor quer fazer uma campanha “diferente”, que fique “a séculos-luz dos dispêndios que têm sido registados” noutras candidaturas presidenciais. E, para quem está à espera de grandes gestos como o mergulho no Tejo que marcou a sua candidatura à Câmara de Lisboa, o antigo comentador avisa que esses tempos ficaram para trás. “Isso foi há 30 anos. O cargo é outro, as circunstâncias são outras.”

Se tudo correr mal, Marcelo tenciona voltar à sua antiga vida. “Eu era muito feliz não sendo candidato presidencial”, garante, lembrando que “muita gente até me diria que eu teria muito mais influência mediática se não me tivesse candidatado”.

margarida.davim@sol.pt

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