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Klitschko vs. Fury. O homem contra o esquilo
Olhos nos olhos: a troca de socos continua dentro de momentos na Alemanha

Klitschko vs. Fury. O homem contra o esquilo

Olhos nos olhos: a troca de socos continua dentro de momentos na Alemanha Martin Meissner/AP Rui Pedro Silva 28/11/2015 21:00

Troca de palavras saiu do âmbito do boxe. Homofobia do britânico levou ucraniano a comparar cérebro do rival com o de um esquilo.

Wladimir Klitschko e Tyson Fury vão disputar o título de pesos-pesados esta noite em Dusseldorf. O ucraniano de 39 anos é favorito – mais não seja porque é o campeão em título – e também deu um passo em frente na habitual guerra de palavras antes dos combates. E tudo por culpa de uma entrevista dada pelo britânico de 27 anos a 8 de Novembro.

Foi mais que uma simples sessão de perguntas e respostas sem profundidade. Entre outras coisas, com as habituais farpas ao rival – “é um adorador do diabo” –, Tyson Fury mostrou-se convictamente contra o aborto e a homossexualidade. A resposta de Wladimir não se fez esperar, dando asas à veia política que corre na família – o irmão Vitali, antigo campeão mundial, é o presidente da Câmara de Kiev desde Junho de 2014. “Os comentários dele deixam-me doente. Foram nojentos e não têm nada a ver com a promoção do combate. Mostraram apenas quem é verdadeiramente Fury – uma pessoa infeliz. Vivemos, felizmente, num mundo democrático, em que todos têm direito a uma opinião, mas tem de haver respeito”, começou por atirar, antes de atacar o britânico, acusando-o de ter “um cérebro do tamanho do de um esquilo”.

Com o ataque geral despachado, Klitschko passou para a defesa pessoal. “Chamar-me ‘adorador do Diabo’ [por gostar de truques de magia] é simplesmente estúpido. Se for trabalhar para o circo, vai estar rodeado de muitos mágicos muito talentosos. E se ele ainda acredita em magia... bom, aqui entre nós, aquilo não tem nada de magia, são só truques! Mas eu vou arranjar forma de fazer alguma magia contra ele emDusseldorf. Vou deixá-lo KO e fazê-lo desaparecer do boxe”, prometeu.

Gerações diferentes Os números de Wladimir Klitschko são impressionantes. Em 67 combates realizados perdeu apenas três (contra Russ Puritty em 1998, Corrie Sanders em 2003 e Lamon Brewster em 2004), tem 53 triunfos por knockout e está numa série de 22 vitórias consecutivas. Mas já tem 39 anos. Do outro lado, Tyson Fury é de outra era, nasceu em 1988.

Com a estreia profissional em 2008, frente ao húngaro Bela Gyongyosi, o britânico natural da região de Manchester está a ter um arranque muito semelhante ao do rival desta noite:24 triunfos em 24 combates (17 por KO). Curiosamente, a primeira derrota de Wladimir surgiu ao 25.o combate.

Tyson Fury está confiante que as semelhanças não vão chegar a esse ponto. “[Klitschko] Alcançou um feito histórico nos pesos-pesados, sem dúvida. Fez 26 defesas do título com sucesso e igualou o recorde de Joe Louis. É uma pena que não o vá conseguir bater. Pode ser o grande Wladimir Klitschko mas esta será a última paragem do comboio.” Independentemente da confiança, o britânico está nervoso.

“Não há mal nenhum disso”, reagiu o ucraniano. “Fico nervoso antes de todos os combates. E tenho de lutar contra esse nervosismo. É um facto.” Para já, nenhum se pode queixar da falta de tempo de preparação, uma vez que o combate estava originalmente marcado para 24 de Outubro, até uma lesão no gémeo esquerdo do ucraniano ter provocado o adiamento.

Para Tyson Fury, Klitschko teve medo. “Não acreditei que o combate fosse mesmo acontecer. Ele provou que estava errado. Por isso, como disse, vou entrar com a toda a força. Espero que ele se tenha preparado bem, sei que eu sim. Homem velho, homem novo, campeão velho, campeão novo. Não é preciso dizer mais nada.” Pois não, que venha o combate.

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