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Silver Spoon. Acção de graças em cima da mesa
Os jantares da Silver Spoon são sempre em espaços improváveis. Os participantes só sabem em cima da hora

Silver Spoon. Acção de graças em cima da mesa

Augusto Freitas de Sousa 25/11/2015 14:52

A empresa dinamarquesa regressa a Portugal para mais quatro jantares. Como sempre, ninguém sabe onde serão.

A empresa dinamarquesa Silver Spoon volta a Portugal para promover quatro jantares. A partir de hoje e até sábado, um por dia, mas, como sempre, os locais são surpresa. Desta vez o menu tem como inspiração o feriado americano do Thanksgiving (Acção de Graças) em parceria com o chefe dinamarquês Ronni Mikkelsen e Pascal Meynard, o chefe executivo do Ritz Four Seasons Hotel Lisboa. A Silver Spoon nasceu na Dinamarca quando Tiffany J. Ng, nascida em S.Francisco, transformou um passatempo e um sonho de infância numa empresa de eventos. A ideia é sempre promover a interacção entre a comida e um local surpreendente. Tem 29 anos e é de São Francisco, mas vive na Europa. Trabalha como advogada de direito internacional, dá palestras, trabalhou em televisão e cinema, passou pela arquitectura, mas é na Silver Spoon que tem gasto as energias.

Como começou a Silver Spoon?
Comecei em 2009, mas era um passatempo. Vivia em Copenhaga e pensei que não havia muita variedade no que dizia respeito a comida. Vinha de São Francisco e pensei que seria uma boa oportunidade para mostrar à população local mais experiências e tipos de comida. Foi um passatempo que se tornou algo mais a partir de 2012. 
Uma área muito diferente da sua formação.

Trabalho em direito internacional, mas a cozinha é para mim uma paixão desde jovem. Quando a oportunidade surgiu decidi apelar à minha formação na área criativa. A certa altura pensei em tornar-me chefe, mas isso não aconteceu e creio que estou melhor numa perspectiva de gestão. Gosto das relações interpessoais que se criam à volta de uma mesa de jantar. A comida é um assunto universal. As pessoas podem relacionar-se independentemente da sua formação e do seu passado. Estas razões não são necessariamente as razões por que a actividade nasceu, mas são de certeza as razões por que continua.

Manteve a mesma filosofia?
No início divulgávamos os sítios aos nossos convidados, mas depois começámos a não o fazer por uma série de razões, entre as quais porque era mais especial, surpreendente. Organizámos os jantares em locais que não seriam a priori para aquele efeito. Museus, coberturas de edifícios, armazéns, parques de estacionamento, bunkers, uma enorme variedade.
Quais são as principais diferenças entre estes jantares e um jantar num restaurante de luxo?

Somos muito interactivos na forma como apresentamos as experiências e gostamos de superar as expectativas. Nada é o que parece. Queremos que as pessoas interajam com a comida. Não deve ser uma experiência passiva, mas sim activa. Nos nossos eventos, os convidados têm de estar envolvidos.

Como escolhem os locais para jantar?
A maior parte das vezes desenvolvemos um conceito e construímos o evento a partir daí. O conceito envolve comida, design, como o local se enquadra no conceito, como nos permite trabalhar com o espaço e como orientar os convidados. 

Porquê Lisboa?
É uma escolha pessoal. Estive de férias em Lisboa em 2010 e desde então que tento perceber como podia regressar. É um bom sítio para viver, com uma cultura fácil, particularmente aberta e muito melhor clima que os países do Norte. Quando tivemos oportunidade, aproveitei-a e viemos a Lisboa em 2014. 

E a carta dos jantares. Como é elaborada? Está relacionada com a cidade? Com o país?
Está mais relacionada com o conceito que com qualquer outra coisa. Claro que a localização interessa para os ingredientes que podemos utilizar. Tentamos que o jantar seja sustentável e de preferência orgânico. Não quer dizer que estes factores sejam determinantes, mas damos o nosso melhor para que isso aconteça. Porém, em Portugal, os produtos que usamos são diferentes dos que usaríamos na Dinamarca para o mesmo conceito.

Vão servir quatro jantares. Como decidem o número de eventos?
O planeamento da produção desses eventos pode demorar meses. Ao longo dos anos diminuímos o número de jantares, mas aumentámos o tamanho da produção do próprio evento. Este ano temos mais uma noite que no ano passado. E agora no Porto. São quatro noites num programa que nos permite ser um pouco mais criativos no nosso trabalho.
Relativamente aos chefes, têm uma equipa vossa? Escolhem chefes diferentes para cada jantar? Como os escolhem?
Temos uma grande rede internacional de chefes. Organizámos eventos em São Francisco, Chicago, na Dinamarca, na Suécia e agora em Portugal. Para o ano vamos avançar para Barcelona e Madrid, e, dependendo da localização, tentamos trabalhar com chefes locais. Aqui em Portugal trazemos o nosso chefe dinamarquês para, de certa forma, manter a origem escandinava da empresa. 

Mas trabalham com chefes portugueses?
Já trabalhámos anteriormente e vamos continuar. A nossa equipa de apoio é de Portugal. Além do nosso chefe Ronni Mikkelsen, da Dinamarca, vamos trabalhar com o chefe Pascal Meynard, do Ritz. Vão trabalhar juntos e vai perceber-se a mistura escandinava e francesa, mas sempre tendo em consideração que o conceito se baseia num feriado americano – o Thanksgiving –, por isso muitos dos ingredientes são os tradicionais daquela data festiva. As técnicas e a apresentação resultam da experiência dos dois chefes.

O que pensa da cozinha portuguesa?
Pessoalmente adoro. É uma das melhores do mundo, especialmente a tradicional.

Hoje em dia as pessoas estão mais disponíveis para novos desafios e experiências gastronómicas. Tem ideia da razão?
Não será necessariamente pela globalização, mas pela troca de conhecimento nesta indústria na última década em comparação com o passado. Muitos dos nossos chefes trabalharam por todo o mundo antes de regressarem a casa. E consegue-se perceber a evolução do seu estilo culinário e como confeccionam a comida. Porque os chefes são as novas celebridades e estrelas, inspiram outros chefes. O nível de conhecimento além--fronteiras é substancialmente maior que no passado. Claro que as pessoas são mais aventureiras e preocupam-se mais com o que comem.

Já organizaram eventos em Portugal. Como correram?
Correram bem. São desafios diferentes, mas temos uma equipa profissional e parceiros altamente especializados. Agora trabalhamos com o Four Seasons, uma marca reconhecida pela qualidade. Temos um designer português que trabalha em Barcelona. O padrão com que trabalhamos é muito alto. No fim tudo funciona, como os convidados podem constatar.


Reservas: www.rsvp.dk/events/all-the-worlds-a-stage-silver-spoon; 95 euros por pessoa

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