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Catástrofes naturais. Mais de 600 mil mortos em 20 anos, diz a ONU
Cheias, tempestades e furacões, tsunamis: os desastres naturais são cada vez mais frequentes

Catástrofes naturais. Mais de 600 mil mortos em 20 anos, diz a ONU

Cheias, tempestades e furacões, tsunamis: os desastres naturais são cada vez mais frequentes Shutterstock Melissa Lopes 24/11/2015 11:10

Relatório da ONU revela que nas últimas duas décadas quase 90% das mortes causadas por desastres naturais aconteceram em países pobres.

Cheias, tempestades e furacões, tsunamis: os desastres naturais são cada vez mais frequentes e cada vez mais demolidores. Desde 1995, estas catástrofes mataram 606 mil pessoas, uma média de 30 mil por ano, com 4,1 mil milhões de pessoas feridas, que perderam as suas casas ou ficaram com necessidade de ajuda urgente. Os números foram compilados e divulgados pelo gabinete da ONU para a redução dos riscos de catástrofes (UNISDR) e mostram ainda que a grande maioria destas mortes (89%) ocorreram em países de fracos rendimentos e causaram perdas financeiras avaliadas em 1,8 mil milhões de euros. 

“O conteúdo deste relatório sublinha a importância de um novo acordo sobre alterações climáticas” na conferência do clima (COP21), afirmou a directora do gabinete, Margareta Wahlstorm. A COP21, que vai ter lugar em Bourget, na periferia nordeste de Paris, tem como principal objectivo fazer com que os 195 países assumam um acordo mundial para atenuar o aquecimento global. Em cima da mesa vai estar o compromisso dos países para conter a subida das temperaturas a 2 oC relativamente à era pré--industrial. 

Ana Rita Antunes, do grupo de trabalho Energia e Alterações Climáticas da Quercus, explica que os países em de-senvolvimento são os que mais sofrem as consequências das grandes catástrofes porque são justamente aqueles que “têm piores de condições de vida e menos capacidade de resposta a estas calamidades, quer na prevenção quer na actuação”. E é por isso que estão a fazer pressão para que na cimeira do clima se chegue a um acordo sobre a redução das emissões de carbono, por um lado, e a pedir maior financiamento aos mais ricos para lidarem com estes fenómenos.

 Para Ana Rita Antunes, não se trata de “culpar”as grandes potências, mas sim de responsabilizá-las. “Têm por um lado uma responsabilidade histórica sobre este novo fenómeno das alterações climáticas: foram os primeiros a emitir gases com efeito de estufa”, recorda. Por outro lado, Ana Rita sublinha que têm capacidade financeira que os países em desenvolvimento não têm. “Daí a questão do financiamento para mitigação e adaptação ser uma questão fundamental para os países em desenvolvimento, que deve constar do futuro acordo de Paris”, resume a especialista. 
De resto, há uma ligação forte entre as calamidades e o nível de pobreza destas regiões mais afectadas que, continuando a sofrer cada vez mais fenómenos desta natureza, dificilmente deixarão de ser pobres. Recentemente, Barack Obama pediu a todos os líderes mundiais que não poupem esforços na missão de atingir um “forte acordo” sobre o clima, avisando que “todos os países serão afectados pelas alterações climáticas, mas serão os mais pobres a carregar o fardo”.

 As alterações climáticas e todos os fenómenos meteorológicos associados são encarados pela ONU como uma “ameaça à erradicação da pobreza extrema no mundo”. De acordo com o relatório, “as catástrofes climáticas são cada vez mais frequentes, sobretudo devido ao aumento consistente do número de inundações e tempestades”, pode ler-se. 

Cheias As inundações representaram, por si só, 47% das catástrofes climáticas entre 1995 e 2015 e afectaram 2,3 mil milhões de pessoas, 95% das quais na Ásia. Apesar de menos frequentes que as inundações, as tempestades foram as catástrofes climáticas mais mortíferas, com 242 mil mortos. Ao todo, os Estados Unidos e a China registaram o maior número de catástrofes desde 1995, devido à dimensão territorial. Mas a China e a Índia lideram o ranking dos países mais atingidos em termos de população afectada. Seguem-se o Bangladesh, Filipinas e Tailândia. Na América, o Brasil é o país onde a população foi mais castigada e, em África, o Quénia e a Etiópia.

E em Portugal? Nos últimos anos, o país também já foi castigado por cheias. Em 2010, na Madeira, 47 pessoas perderam a vida devido a um forte temporal e deslizamentos de terras. Três anos depois, no Faial (Açores), três pessoas morreram pelas mesmas razões. No mês passado, Albufeira viu-se completamente envolta em lama depois de uma enxurrada. 

Sendo um país com muitas vulnerabilidades, Portugal está a preparar-se para os riscos das alterações climáticas através do projecto ClimAdaPT, que envolve especialistas da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), da Quercus e do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), em colaboração com 26 municípios portugueses. 
Esta equipa de especialistas prevê que Portugal venha a enfrentar fenómenos de precipitação excessiva, causando cheias e inundações rápidas, deslizamentos de terras e danos em infra-estruturas. Apesar de poderem vir a ser menos frequentes, irão ser mais intensos. Além de cheias, o país vai enfrentar mais ondas de calor, secas “progressivamente mais frequentes e intensas até 2100”, assim como a subida do nível do mar. 

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