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“A minha voz está de volta ao debate público”
Sócrates marcou hoje um ano sobre a sua detenção, num almoço de mais de 400 apoiantes em Lisboa

“A minha voz está de volta ao debate público”

Sócrates marcou hoje um ano sobre a sua detenção, num almoço de mais de 400 apoiantes em Lisboa Rita Tavares 22/11/2015 14:41

Sócrates marcou hoje um ano sobre a sua detenção, num almoço de mais de 400 apoiantes em Lisboa. Ex-PM atirou à Justiça, mas não ficou por aí, com alguns socialistas presentes na sala.

José Sócrates almoçou este domingo, na antiga FIL em Lisboa, com mais de 400 apoiantes, numa iniciativa promovida pelo movimento cívico “José Sócrates Sempre”. O almoço serviu para marcar um ano da detenção do ex-primeiro-ministro que lançou este domingo várias críticas e avisos ao sistema judicial, em particular aos responsáveis pelo inquérito de que foi alvo. Mas também não esqueceu o meio político: “Se o objectivo de alguns foi calar-me, ficam agora a saber que a minha voz está de volta ao debate público”. 

O almoço serviu, no entender de Sócrates, para “celebrar a amizade”, mas o discurso serviu principalmente para atirar à condução do inquérito e à ausência de uma acusação no processo em que está indiciado de fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção”. “Ao fim de um ano não conseguem apresentar provas”. A frase foi cortada pelos gritos na sala: “Fascismo nunca mais”. E Sócrates continuou dizendo que isso “desprestigia o Estado de Direito”, acusando o Estado português de “fariseísmo ao apontar o dedo aos outros sem resolver os problemas internos”. A frase saiu a propósito das manifestações junto de Timor-Leste por ter preso preventivamente cinco meses sem acusação. 

Sócrates mantém a sua suspeita de que se ainda não foram apresentadas provas é porque “nunca as tiveram. Todas as acusações foram falsas, gratuitas e injustas”. E comparou o “espectáculo do passa-culpas” na política ao que se passa na Justiça: “Já temos espectáculo público de divergências entre os vários intervenientes no processo”. 

Para o fim da sua intervenção perante os apoiantes no almoço em Alcântara, Sócrates guardou as “considerações políticas” que iniciou logo dizendo: “Se o objectivo de alguém foi calar-me, fiquem aqui a saber que a minha voz política está de volta”. Durante o discurso, o ex-PM prometeu várias vezes que vai manter-se activo, através de declarações e entrevistas: “Não vou calar-me”. Sobre o actual governo, disse que “o único golpe que existiu foi o que deram em 2011”, quando PSD e CDS se uniram à esquerda para derrubar o PEC IV, que acabou na demissão do governo então liderado por José Sócrates. Depois atirou-se ao Presidente da República que acusou de estar a tentar “desacreditar a única solução de governo que existe” e ironizou: “Seu tanto trabalho a pôr lá a direita em 2011, que está a custar-lhe tirá-la de lá”.

O restaurante da antiga FIL esteve cheio e também compareceram algumas caras socialistas. Sócrates chegou acompanhado de Mário Soares e à sua espera tinha já o presidente honorário do PS Almeida Santos, o ex-ministro da Justiça Alberto Costa, o deputado Vitalino Canas, o ex-ministro Mário Lino, António e Paulo Campos, Joaquim Raposo ou Carlos Silva da UGT. Os apoiantes vieram de várias zonas do país e até de autocarro, como foi o caso de dezenas de pessoas vindas de Vila do Conde num veículo que estacionou à porta do restaurante a poucos minutos da hora marcada para o início do almoço.

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