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Richie McCaw. Os heróis não duram para sempre
“Último jogo foi bastante compensador”, afirmou, lembrando o título mundial

Richie McCaw. Os heróis não duram para sempre

“Último jogo foi bastante compensador”, afirmou, lembrando o título mundial Christophe Ena/AP Rui Pedro Silva 20/11/2015 21:03

Capitão dos All Blacks confirmou o esperado e anunciou o final da carreira aos 34 anos.

“A última coisa que queria fazer era arrastar-me até ao fim.” Foi desta forma que Richie McCaw abriu caminho para o anúncio do fim da carreira como jogador de râguebi, depois de 14 anos ao serviço da Nova Zelândia. O capitão dos All Blacks, que deixa sempre a emoção de lado durante um jogo – “Pode trazer muito mais coisas negativas do que positivas. A calma favorece as boas decisões” –, entendeu que não havia momento mais inteligente para dizer basta.
A morte de Jonah Lomu, com quem chegou a jogar nos primeiros anos na selecção, chegou a fazê-lo reconsiderar o timing do anúncio, mas foi em frente e aproveitou a conferência de imprensa para elogiar um dos ídolos de adolescência. De resto, não houve passos dados em falso: “Sento-me aqui sem arrependimentos do que fiz enquanto jogador. E o último jogo foi bastante compensador...”, atirou.

Richie McCaw despede-se como bicampeão mundial. Ergueu o troféu em 2011 na Nova Zelândia e repetiu o feito em Twickenham há menos de um mês. Desde que se estreou em 2001 na Irlanda, num jogo em que foi eleito o melhor em campo, o flanqueador disputou 148 jogos, ganhando 131.

O seleccionador dos All Blacks, Steve Hansen, esteve no anúncio e reforçou o que já tinha dito após a final de Outubro. “É não só o melhor All Black da história, mas também o melhor capitão que alguma vez tivemos. Abandona talvez como o melhor jogador da era moderna. E mais impressionante do que os 148 jogos que fez foi o nível que manteve. Não me consigo lembrar de um mau jogo”, revelou.

O anterior seleccionador, GrahamHenry (2004-2011), também se rendeu rapidamente a McCaw. “É um rapaz à parte. É corajoso, inspira. Dá tudo. Tem a qualidade de dar o que tem até à última gota. Quando sai do campo, dou por mim a pensar que devia ir para o hospital.”

Em 2011 foi isso que aconteceu durante o Mundial. McCaw escondeu de colegas e treinadores uma fractura no pé para continuar a jogar, disputando os encontros decisivos em “agonia completa”. “Não faz sentido assustar os treinadores, limitei-me a repetir-lhes que estava bem”, revelou em livro. “Não se devia conseguir jogar 148 jogos como flanqueador. É inaudito. Põe-se o corpo em risco em todos os lances que se disputam”, comentou Steve Hansen.

O jogo 149 não vai chegar, mas McCaw está muito ansioso em relação ao futuro. “Tenho algumas coisas em mente. Aprendi a pilotar helicópteros em 2009 e agora vou concentrar-me nisso. É uma das minhas paixões.”

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