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Colección Masaveu. A visita dos grandes mestres da pintura espanhola
José de Ribera ao lado de El Greco, no núcleo que mostra a transição do maneirismo para o naturalismo

Colección Masaveu. A visita dos grandes mestres da pintura espanhola

José de Ribera ao lado de El Greco, no núcleo que mostra a transição do maneirismo para o naturalismo Diana Tinoco Ana Tomás 20/11/2015 17:38

Portugal é o primeiro país a receber um conjunto da colecção privada da Fundação María Cristina Masaveu Peterson fora de Espanha. El Greco, Zurbarán, Goya e Sorolla são alguns dos pintores da mostra patente no Museu de Arte Antiga, em Lisboa.

O Museu Nacional de Artes Antiga acolhe a primeira mostra internacional da colecção da Fundación María Cristina Masaveu Peterson, uma das mais variadas e representativas colecções privadas espanholas. Intitulada “Colección Masaveu. Grandes Mestres da Pintura Espanhola: Greco, Zurbarán, Goya, Sorolla”, a exposição inaugura hoje às 18h e abre amanhã ao público, ficando patente no museu até 3 de Abril de 2016. 

Para esta mostra foram trazidos 58 quadros e uma escultura. Uma selecção especialmente criada para o museu português, que reúne peças provenientes de importantes pinacotecas, como a colecção real ou a colecção do Infante Sebastião Gabriel de Bourbon e Bragança. A exposição apresentada em Lisboa percorre a história da pintura espanhola do século xv ao século xx, com especial destaque para o Século de Ouro. El Greco, Zurbarán, Goya e Joaquín Sorolla são apenas quatro nomes de referência desta mostra, que reserva um lugar de destaque a Sorolla, o “pintor da luz”, a quem é dedicada uma sala inteira, inserida no núcleo “Uma nova luz: de Fortuny a Sorolla”, o quinto e último da exposição. 

O espaço atribuído ao pintor valenciano nascido em 1863 inclui peças representativas de todas as temáticas que abordou na sua obra, e em que sobressaem o mar e o retrato, como referiu o comissário da exposição, Angél Aterido, numa visita guiada aos jornalistas. Dos quadros pintados na praia com os barcos como objecto central a “Nadadores”, uma pintura prévia ao quadro definitivo, passando pelo retrato de uma família abastada, são sete as obras de Sorolla que podem ser apreciadas na exposição. Uma pequena parte das 55 que a colecção possui do pintor valenciano e que serve de exemplo do critério seguido para esta exposição. “Trazemos uma percentagem mínima, mas trazemos o melhor do melhor”, explica o curador, acrescentando que a ideia foi trazer as principais peças do acervo da colecção, que só em pintura tem 1500 obras. “Nos casos de um grupo maior, como os de José de Ribera, El Greco ou Zurbarán, escolheu--se o mais representativo dentro do melhor. No fundo tentou-se chegar a um equilíbrio dentro do disponível, que não era pouco.”

“Colección Masaveu. Grandes Mestres da Pintura Espanhola: Greco, Zurbarán, Goya, Sorolla” apresenta também algumas obras nunca antes exibidas, como o quadro “San Andrés”, pintado por José de Ribera. Isto em parte poderá ser explicado pela pouca frequência com que são expostos os conjuntos desta colecção. A primeira vez que se mostrou uma selecção importante do acervo da fundação foi no final dos anos 80, com uma exposição em Oviedo e no Museu do Prado. Há poucos anos voltou a ser exposta uma selecção representativa em Madrid, somando-se agora a de Lisboa. “Não há o hábito de fazer apresentações periódicas. Quando há exposições dedicadas a um dos artistas as obras são cedidas, mas enquanto conjunto não é frequente fazer mostras da colecção”, explica Ángel Aterido.

Núcleos A exposição encontra-se dividida em cinco núcleos: “O esplendor da Idade Média e o Renascimento”, “El Greco e a transição na pintura do maneirismo para o naturalismo”, “Cintilações do Século de Ouro: os mestres do barroco”, “Goya e as luzes” e “Uma nova luz: de Fortuny a Sorolla”. Além dos nomes que servem de referência a esta selecção, há outros que poderão surpreender os visitantes. O comissário destaca desde logo Alonso Cano, pintor do século xvii que está representado através do quadro “San José y el Ninõ”, incluído na parte dedicada aos mestres do barroco.

“É um artista da geração de Vélasquez, um pintor, escultor e arquitecto muito interessante, e temos uma das suas principais obras na colecção. Pode ser uma grande descoberta. Há outra dezena de artistas que poderão surpreender o público, que não são tão conhecidos mas são de um nível extraordinário: de Luis Egídio de Meléndez – e as suas naturezas-mortas – a António del Castillo, pintor do século XVII, passando pelos quadros de Santiago Rusiñol ou de Ramón Casas, que são mais conhecidos, mas que para o público português serão uma descoberta.

A selecção que pode ser vista em Lisboa traz apenas artistas espanhóis, embora a colecção também inclua obras de pintores italianos e flamengos, tendo algumas delas sido expostas em Madrid.

A Colecção Masaveu foi reunida ao longo de várias gerações. Apesar de ter sido criada com base no gosto de uma família, é suficientemente ampla e selectiva para permitir uma representação significativa da arte espanhola. “Por exemplo do século xviii temos quadros de Goya que são raríssimos”, exemplifica o comissário, sublinhando que se trata de uma das colecções privadas espanholas “mais variadas, composta por pinturas, esculturas e artes decorativas”. De tal forma que no seu acervo é bem possível que exista algum representante da pintura portuguesa: “Talvez possa haver um Vieira Lusitano... mas terei de investigar.”

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