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Paris. Parlamento português unânime na condenação ao terrorismo
Nas galerias, a assistir ao momento, esteve o embaixador de França em Portugal, que o plenário aplaudiu de pé num gesto de solidariedade

Paris. Parlamento português unânime na condenação ao terrorismo

Nas galerias, a assistir ao momento, esteve o embaixador de França em Portugal, que o plenário aplaudiu de pé num gesto de solidariedade Rita Tavares 18/11/2015 15:51

Partidos e governo aprovaram voto de pesar sobre atentados terroristas. Nas declarações houve diferenças no tom e na forma da resposta ao terrorismo, com a esquerda a pedir que não se responda ao ódio com ódio e o PSD a pedir para ouvir o ministro da Defesa no parlamento.

A Assembleia da República aprovou esta quarta-feira de forma unânime o voto de pesar e de condenação aos ataques terroristas de Paris a 13 de Novembro, a que se associou. Esquerda contra resposta pela agressão, direita diz que não é contraditório “reforçar a segurança e defender a liberdade”.

O texto foi escrito, de forma consensual, pelo presidente da Assembleia da República, os líderes parlamentares e o deputado do PAN e fala numa “tentativa clara de trazer para a Europa a cultura da guerra e da violência que há muito estes grupos praticam no norte de África e no Médio Oriente”. Ferro Rodrigues leu o voto de pesar em que o parlamento fez uma “condenação veemente” pelos atentados e onde está também escrito que “perante o mal absoluto deve prevalecer o bem comum”. Nas galerias, a assistir ao momento, esteve o embaixador de França em Portugal, que o plenário aplaudiu de pé num gesto de solidariedade.

Nas intervenções dos deputados, que se seguiram à leitura do voto e pesar, o Bloco de Esquerda apontou os “franceses, que não querem ser responsáveis por mais bombardeamentos”, o PCP apelou a que se “ponha fim à escalada de ódio e militarização” e os Verdes alertaram: “Se a resposta é a escalada de ódio e da agressão, isto não pára”.

No PS, o líder parlamentar Carlos César classificou de “intoleráveis” os actos terroristas em Paris na última sexta-feira, e apelou a que a Europa reviva “compromisso no combate pela liberdade, o culto e amor pela diversidade e inclusão”. Já o PSD vai chamar à comissão parlamentar de Defesa o ministro da tutela, Aguiar Branco, com o deputado Sérgio Azevedo a defender o “combate sem tréguas e com esforço de união e cooperação entre todos” os países da União Europeia. E Telmo Correia, do CDS, disse que a Europa “deve reflectir sobre o futuro”, depois de ter afirmado que “França fez uma declaração de guerra, vive em estado de emergência, nem as autoridades nem ninguém em França o escolheram. Fê-lo por necessidade e é sobre isso que temos de reflectir no futuro”. Para o democrata-cristão, “não há nenhuma contradição entre reforçarmos a segurança e defender a liberdade, entre receber os que precisam de ser recebidos e ter escrutínio nas nossas fronteiras, não há contradição entre defender o modo de vida europeu e fazer combate ao terrorismo”. 

Mas a unanimidade durou pouco e, ainda com os acontecimentos de Paris no púlpito, já durante o período de declarações políticas o PS e o PSD desentenderam-se. Carlos Gonçalves, o deputado do PSD eleito pelo círculo da Europa, fez uma intervenção sobre os atentados em Paris e, no meio, afirmou que as “comunidades portuguesas olham com perplexidade para a situação que o país vive actualmente. Não compreendem que no seu faísquem ganha eleições não governa”. Palavras que provocaram agitação na bancada do PS e a que o deputado socialista pelo mesmo círculo, Paulo Pisco, reagiu dizendo ser de “muito mau gosto misturar dois planos de intervenção política”.​

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