25/9/17
 
 
Tiago Mota Saraiva 14/11/2015
Tiago Mota Saraiva

opiniao@newsplex.pt

Guerra ao ódio

O massacre de Paris não foi o primeiro dia de uma nova guerra mas uma noite que nos afastou mais do seu fim.

 Porque humano e sincero, é bom que sintamos necessidade de prestar a nossa solidariedade imediata das mais diversas formas. Não desvalorizemos a importância de nos emocionarmos colectivamente, de chorar. Mas importa sair do estado de choque e não responder em pânico, com o ódio. Esse é o terreno fértil da guerra. O terreno da paz é o da solidariedade e o da derrota do medo.

O massacre de Paris - que o leitor me desculpe a repetição mas não quero perder tempo a pensar noutro tempo ou cair no erro de o estar a adoçar – também deu a conhecer a mais gente o que havia sucedido no dia anterior em Beirute (43 mortos e 240 feridos num ataque suicida) ou o que sucede diariamente na Síria, Iraque, Líbia, Afeganistão, Paquistão... Entenda-se, de uma vez por todas, que esta guerra não começou ontem e que há quem a viva quotidianamente com toda a sua violência.

Uma violência que corre nas ruas destruindo quem nelas caminha e não quem as ordena.

Hoje devemos recordar o momento fundador desta guerra: a Cimeira das Lajes. O dia em que três líderes medíocres e extremistas de potencias mundiais e um serviçal nacional, decidiram começar uma guerra em territórios que não conheciam, que a sua dimensão intelectual e cultural não permitia entender, sob o pretexto da destruição de armas nucleares que sabiam não existir. Tratar da sua responsabilização, é cada vez mais urgente.

Mas a primeira forma de sair do estado de choque e avançar para uma discussão eficaz é perceber o problema dos refugiados. Gente que foge a viver, quotidianamente, sobre a pressão de poder acontecer à sua porta, em sua casa, o que ontem aconteceu em Paris. Tal como não aceitaríamos que os milhares de adeptos que ontem se encontravam no estádio ainda lá estivessem a esta hora para que fosse feito correctamente o despiste de tendências terroristas ou a descoberta de potenciais cúmplices entre os espectadores, não podemos aceitar a forma como estão a ser tratados os que fogem de países não europeus quando ficam presos em campos de reclusão aguardando por um futuro ou quando barrados por um muro ou por militares.

Entenda-se que não serão muros erigidos na Europa ou o policiamento de todos os comportamentos que trará segurança. Continuar a responder da mesma forma, fortalecerá os extremismos e a barbárie não garantindo, como a realidade tem vindo a demonstrar, que o massacre de Paris não possa acontecer à porta da casa de cada um.

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