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Hungria. A goleada que humilhou a futura campeã mundial
Selecções defrontaram-se duas vezes em 1954

Hungria. A goleada que humilhou a futura campeã mundial

Selecções defrontaram-se duas vezes em 1954 getty images Rui Pedro Silva 12/11/2015 18:24

Foi a 20 de Junho de 1954 em Basileia. A RFA foi cilindrada (3-8)na fase de grupos do Mundial... mas vingou-se no jogo decisivo.

Falamos da Hungria. Que é como quem diz Magyarország. Esse pormenor serve quase de simbologia poética na geração de futebol que deliciou o mundo na década de 50. Não os húngaros, mas os magiares. De magia, só pode ser. A forma como se dispunham em campo e humilharam a Inglaterra em Wembley (6-3) no chamado jogo do século – um deles, pelo menos – a 15 de Novembro de 1953. Ou como assentiram a possibilidade de desforra no ano seguinte, apenas para aumentar os contornos da vergonha, com um 7-1. Era a geração de Hidegkuti. A de Puskas, Kocsis e Czibor. A que foi imbatível durante quatro anos (31 jogos) e se sagrou campeã olímpica em Helsínquia-1952. Só falhou o Mundial... por pouco.

É impossível falar de favoritismos mas aquela Hungria metia medo e não havia dúvida de que teriam uma palavra a dizer na fase final de 1954, na Suíça. A segunda goleada à Inglaterra meses antes era um aviso à navegação que tinha de ser encarado com muita seriedade. No primeiro jogo do grupo 2, o 9-0 à Coreia do Sul serviu para aquecer. Três dias depois, em Basileia, naquele 20 de Junho, aconteceu uma das exibições mais esmagadoras e memoráveis em jogos entre selecções. Quando Alfred Pfaff fez o primeiro para a RFA aos 25’, já a Hungria tinha marcado três golos: dois por Kocsis (3’ e 21’) e um por Puskas (17’). Quando Helmut Rahn bateu Grosics aos 77’, já Kocsis tinha feito o terceiro (69’), Hidegkuti bisado (52’ e 54’) e Jozsef Toth entrado na festa (75’). Com 7-2 no marcador, Kocsis completou o póquer (78’), tirando qualquer importância ao terceiro golo dos germânicos, marcado por Richard Herrmann aos 84 minutos.

Os 56 mil espectadores reunidos naquela tarde não queriam acreditar no que a equipa de Gustav Sebes tinha alcançado. Restava-lhes decorar muito bem os nomes dos que se assumiam ali como grandes candidatos a erguer a taça Jules Rimet: Grosics, Buzanszky, Lorant, Lantos, Bozsik, Zakarias, Toth, Kocsis, Hidegkuti, Puskas e Czibor.

O Brasil foi o freguês seguinte, nos quartos-de-final, e perdeu 2-4. O Uruguai, campeão em título, seguiu com o mesmo resultado (no prolongamento). Só faltava a final... um reencontro com a RFA. O favoritismo parecia claro e o 2-0 aos oito minutos (Puskas e Czibor) prometia um desfecho semelhante. Só que os alemães recuperaram e construíram o Milagre de Berna.Para trás, ficava o melhor momento da história da selecção mágica. Perdão, magiar.

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