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Lars Jansen. "Home (Sagres) Is Where Your Heart Is"

Lars Jansen. "Home (Sagres) Is Where Your Heart Is"

25/05/2012 03:00

É João Rei, organizador do Sagres Surf Culture, que nos apresenta Lars Jansen. Com a filha de 14 meses ao colo, pergunta em jeito de brincadeira: “Carolina, onde está o bebé?” Seguimos-lhe o dedo e na direcção está um alemão de grande porte com tatuagens e com um aspecto agressivo. Voz das crianças, voz de Deus, diz o ditado e, de facto, bastou trocarmos umas palavras com Lars para nos darmos conta de que a sua simpatia é proporcional ao seu tamanho.

Nascido em Borken, perto de Düsseldorf, e fotógrafo autodidacta de profissão, não é a primeira vez que vem à terra do Infante D. Henrique. “Sagres mudou-me a vida e a forma de olhar para as coisas. Se não tivesse cá vindo talvez não fosse fotógrafo hoje em dia. Teria acabado o curso de Gestão na faculdade e estava agora sentado no escritório”, conta, enquanto reparamos no nome da localidade algarvia tatuada no braço esquerdo. A ideia de passar a vida agarrado a uma máquina veio-lhe pela primeira vez à cabeça no início dos anos 90, quando viu fotografias dos Nirvana, Pearl Jam e outras bandas de Seattle. Por falta de apoio da família, a ideia andou meia adormecida por uns tempos mas acabou por dar o grito do Ipiranga.

“Vim a Sagres em 1999 de férias para um surfcamp. Dei-me muito bem com o dono, um português daqui e no ano seguinte vim para cá trabalhar durante o Verão. Fi-lo durante dois anos. Depois, em 2004, mudei-me para cá de vez para trabalhar a tempo inteiro”, recorda o alemão de 34 anos.

Sempre a passear pelo mundo inteiro, Jansen conta-nos que esteve recentemente em Itália, para trabalhar, e na Estónia e Costa Rica, de férias. Dada a sua naturalidade e a movimentação em tempos de crise, perguntamos-lhe se vive bem como fotógrafo de surf, skate e rock and roll, sublinhando a tendência portuguesa de recear em apostar na diferença e desconfiar da mudança. “Fotografo o lifestyle onde estou inserido”, responde com amor à causa. “Mas não é fácil, não são as áreas mais comerciais, por isso tenho de fazer outros trabalhos para ganhar dinheiro.”

Falar em contas acciona rapidamente a psicose do défice e, em fracções de segundo, a conversa começa a girar em torno de Angela Merkel. “Já tive uma longa discussão sobre isso hoje! [risos]”, diz quando lhe perguntamos sobre a actuação da chanceler alemã face à crise na zona euro. “É difícil, penso que é preciso estarmos todos dentro do assunto e não apenas ler os títulos dos jornais. Perante os artigos de revistas que leio em Portugal, a única coisa que posso dizer é que a situação na Alemanha nem sempre é o que parece”, acrescenta após ter confessado durante a manhã estar assustado com o ódio dos gregos aos alemães.

Sabemos que o voto é secreto, mas como vive em Düsseldorf - capital do estado da Renânia do Norte-Vestefália, onde o partido de Merkel, a CDU, perdeu as últimas eleições regionais para a coligação SPD (sociais-democratas)/Verdes – não resistimos em tentar saber onde pôs a cruz. A resposta é grün. “Essa foi provavelmente a razão principal pela qual as pessoas não votaram nele. Eu não votei. Foi estúpido candidatar-se com essa abordagem. Senão as pessoas não se entregam à área para a qual trabalham, nada faz sentido”, reage quando confrontado com a atitude de Norbert Röttgen, candidato da CDU, que afirmou que se não vencesse as eleições no estado, não iria ficar na oposição, regressando ao cargo de ministro do Ambiente.

“Sagres é a minha segunda casa, a primeira vez que cá vim todos foram muito acolhedores e são hoje em dia como a minha segunda família” explica Lars, feliz por estar de visita. “Por isso é que tenho esta tatuagem no meu braço.” No peito, tem escrito “Home Is Where Your Heart Is”, gravado na última noite que passou em Sagres como residente.

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