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Hélder Guimarães. A jogar com o baralho todo desde 1986

Hélder Guimarães. A jogar com o baralho todo desde 1986

18/04/2012 12:25

“Boa tarde. Para aqueles que me conhecem o meu nome é Hélder, para os que não me conhecem o meu nome também é Hélder e para os que me querem conhecer: olá, o meu nome é Hélder”, apresenta-se num limbo entre o sério e o trocista. Primeiro fazer rir e depois, sim, calar o público (de espanto) parece ser a técnica do mágico. Hélder Guimarães, 29 anos, é o primeiro português a receber o prémio que é uma espécie de Óscar no meio: o Parlour Magician of the Year. No currículo tem ainda uma série de vitórias em concursos e festivais nacionais e internacionais. Mais: a classificação de Campeão Mundial de Magia com Cartas em 2006, em que depois da actuar recebeu uma ovação de pé.

Tudo começou há 25 anos. É verdade, as contas estão bem feitas. Hélder conta que começou com quatro anos a fazer magia, quando tentava imitar, à porta fechada, os truques que o pai fazia. “Mas só aos 12 percebi que podia fazer da magia a minha profissão”, adianta, interrompendo com uma ponta de ironia: “Antes queria ser dentista, achava a cadeira fabulosa.” Foi nessa altura, enquanto folheava uma revista sobre o Campeonato Mundial de Magia, que se imaginou entre os vencedores. Sonho que se tornou realidade quando em 2006 venceu o Campeonato Mundial de Magia, em Estocolmo, e decidiu dedicar-se por completo à arte. Hoje vive em Los Angeles, apesar de viajar um pouco por todo o lado – neste momento anda numa digressão pelo Japão. Mudou-se para os Estados Unidos por causa das oportunidades de trabalho: “Recebia convites de empresas como a Google ou a Apple para actuar em eventos nas suas sedes. Achei que seria perder oportunidades não experimentar um mercado como este”, explica.

Segundo Hélder, no que toca a magia a coisa não está famosa em Portugal. Isto porque a maior parte dos profissionais se limitam a “copiar o que os outros já fizeram antes”. Também o ensino parecer estar aquém, segundo Hélder: “É uma área em que existe muito autodidactismo. Não existe uma formação tipo escola e as pessoas que dão cursos são quase sem excepção muito más”. O mágico estudou Teatro, no Porto, e a magia conheceu-a nos livros e em viagens a Espanha, onde “a forma de pensar e abordar a arte é a mais evoluída no mundo”. Pelo meio criou o seu próprio estilo.

“Nenhum espectáculo se pode basear na premissa de ‘eu estou a fazer uma coisa que vocês não sabem como se faz’”, explica, concluindo que prefere juntar humor e contacto com o público e “contar histórias, traçar narrativas”. Apesar de conhecido pelos seus truques com cartas, Hélder também utiliza outros objectos: “As cartas são apenas um instrumento, tal como o piano ou a guitarra, os instrumentos não são a música”, compara. Usa objectos preferencialmente pequenos, já que a sua magia “se baseia na habilidade manual”. E quando a técnica falha acontece um “out”. Que é o mesmo que o mágico enganar-se e ter de arranjar um plano B. Já aconteceu, revela Hélder, apesar de o público não ter dado por isso.

De Portugal, passando pelos EUA e até ao Japão, este ilusionista já actuou de uma ponta à outra do mundo. Dos japoneses guarda o entusiasmo, de Espanha e da Argentina o calor humano. De Portugal fala em públicos diferentes, com preferência pelo Porto: “Sinto-me em casa.”

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