22/9/18
 
 
Carlos Tavares diz adeus à CMVM ao fim de dez anos de liderança
Ainda sem saber quem é o seu sucessor, Tavares admite voltar à banca

Carlos Tavares diz adeus à CMVM ao fim de dez anos de liderança

Ainda sem saber quem é o seu sucessor, Tavares admite voltar à banca Filipe Casaca Sónia Peres Pinto 04/11/2015 15:44

Desde a sua criação, o órgão regulador instaurou 1787 processos de contra-ordenação e aplicou coimas no valor total de 25 milhões de euros.

Carlos Tavares terminou o mandato em meados de Setembro. Ainda não é conhecido o seu substituto, mas o ainda presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) já se despediu do cargo. “É a minha última conferência como presidente da CMVM”, disse ontem Carlos Tavares na abertura da conferência de homenagem a Amadeu Ferreira, que foi seu vice-presidente durante cerca de nove anos e faleceu no passado dia 1 de Março.

Durante a sua despedida, Carlos Tavares apresentou um livro sobre a actividade sancionatória entre 1991 e 2014, em que a instituição abriu um total de 1787 processos de contra-ordenação e aplicou coimas no valor total de 25 milhões de euros. Alguns dos processos de averiguação levaram à comunicação ao Ministério Público de 59 crimes de mercado.

“No período que vai de 1997 ao fim do primeiro semestre de 2014, a CMVM abriu 509 processos de averiguação, sendo preponderantes os de abuso de informação, de manipulação de mercado e de intermediação financeira não autorizada”, refere o livro.

No prefácio é dito que na sequência destes processos “foram efectuadas 79 participações criminais ao Ministério Público, 59 das quais relativas a crimes de mercado e 20 relativas a outras irregularidades”, como intermediação financeira não autorizada e burla, entre outros. Entre todos os processos abertos, “a coima média aplicada neste período foi de cerca de 30 mil euros”, adianta o livro, acrescentando no entanto que entre 2000 e 2014 o valor “aumentou de forma significativa, para 43 mil euros”.

Turbulência

Carlos Tavares esteve à frente da CMVM durante dois mandatos. O ex-ministro da Economia do governo de Durão Barroso foi convidado por Teixeira dos Santos, em 2005, para liderar o órgão regulador. Na altura Teixeira dos Santos ia sair da CMVM por ter sido nomeado ministro das Finanças do primeiro governo de José Sócrates.

Os seus mandatos ficaram marcados pela quebra de confiança nos mercados na última década, pela turbulência das dívidas soberanas da zona euro e pelo resgate económico e financeiro a Portugal. No panorama interno Carlos Tavares enfrentou também a nacionalização do Banco Português de Negócios, a liquidação do Banco Privado Português, a resolução do BES e insolvência do Grupo Espírito Santo e o colapso da Portugal Telecom.

Numa entrevista recente ao “Sol”, Carlos Tavares admitiu que gostaria de ver resolvido o problema relacionado com os lesados do papel comercial do Banco Espírito Santos antes de abandonar a liderança do regulador. Ao mesmo tempo, revelou que poderia regressar à banca, sector onde desenvolveu grande parte da sua experiência profissional – no seu currículo constam o BPA, a companhia de seguros Bonança, a Unicre, a CGD e o BNU, além da SIBS e dos bancos Chemical Finance e Santander de Negócios Portugal – embora não tenha descartado uma experiência na gestão cultural.

Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×