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Maiorca vs. Real Madrid e os três mosqueteiros portugueses

Maiorca vs. Real Madrid e os três mosqueteiros portugueses

14/01/2012 03:00

Até parece que o Madrid joga em casa. O autocarro da equipa chega ao estádio e é uma histeria pegada com aplausos, palmas, pancadas amigáveis no veículo, beijos ao sabor do vento, abraços imaginários, saltos no ar. A maior parte desta gente são teenagers conscientes a praticar actos inconscientes.

Indiferentes a toda esta acção do lado de cá, os jogadores acenam mecanicamente para as fervorosas adeptas enquanto levantam-se do assento, com muito cuidado não vá o walkman cair do colo, e encaminham-se para a porta. Cá fora, o carnaval continua. E eles saem à vez. Queiroz, Peseiro, Raúl, Casillas, Michel Salgado, Guti, Cambiasso, Figo, Roberto Carlos, Zidane, Ronaldo, Beckham... Calma lá, vamos fazer rewind. Walkman em 2011? Pois é, desculpem mas esquecemo-nos de fazer a necessária introdução. Estamos em Agosto de 2003 e é dia de Maiorca-Real Madrid, o jogo de arranque de época espanhola, para a primeira mão da Supertaça. De um lado, a equipa de Eto’o treinado por Jaime Pacheco. Do outro, os galácticos de Carlos Queiroz.

No palco de Son Moix, os anfitriões cedem primeiro (Figo, aos 18 minutos) mas rectificam por Bruggink (45’) e adiantam-se por Eto’o (47’). Acaba 2-1 para o Maiorca mas ainda falta a segunda mão, no Santiago Bernabéu. Para muitas maiorquinas, isso não interessa para nada. Cada vez que Beckham toca na bola é um delírio. Cada acrobacia de Zidane ou Figo é uma festa. Um fair-play notável. O mesmo já não sucede com a imprensa. A de Madrid, salvo seja, porque a de Barcelona é sempre demasiado cáustica, cega, sem razão e agarrada ao antimadridismo.

O “As”, por exemplo, fala de “caos táctico na táctica de Queiroz” e vai mais longe. “Nada mudou dum ano para o outro. O Maiorca continua a ganhar ao Real Madrid. Jaime Pacheco mostrou ao mundo como se ganha aos ‘galácticos’: trabalhando muito.” E vai mais longe na apreciação: “Queiroz está confuso. Forma mal a equipa e ainda não entende como é que Cambiasso é titular e Makelele não. Para mim, falta qualquer coisa a Queiroz e não me admirava nada se Del Bosque regressasse”. A “Marca” é mais ligeira. “Queiroz variou de esquema e confundiu o Real Madrid. Makelele não se treina e joga; Raúl Bravo entra para central quando não o é; Figo a médio-direito, quando nunca desempenhou esse papel nos quatro jogos da pré-época; Zidane na esquerda quando o futebol agradecia que voltasse ao meio. Mas Queiroz não é o único culpado. O Maiorca, bem treinado por Jaime Pacheco, aproveitou bem o despiste colectivo do Madrid.”

Nas bancadas, um sorridente John Toshack fala pelos cotovelos e diz-se admirador de Jaime Pacheco. “Já o conhecia como jogador, pois treinei-o no Sporting em 1984. Pensei logo que poderia dar um bom treinador, porque sabia ler bem o jogo, e era uma pessoa que se dava bem com toda a gente.” E é Jaime Pacheco quem faz a festa. Na conferência de imprensa, o técnico responde às perguntas e despede-se dos jornalistas com um sorriso aberto e uma continência seguida de uma marcha. Os 20 repórteres presente chamam-no logo General Pacheco e há até um canal televisivo que pede bis para filmar e colocar no ar. Pacheco não aceita o repto, em defesa da espontaneidade. A mesma que lhe garantira o título de campeão nacional pelo Boavista em 2001 e também aquela que lhe trai no Santiago Bernabéu, onde o Madrid se impõe a um aventureiro Maiorca por 3-0, com golos de Raul (45’), Ronaldo (52’) e Beckham (72’). Com o acerto táctico na escolha do meio-campo ofensivo com Beckham na direita, Zidane no meio e Figo na esquerda, chega o primeiro (e único) título de Queiroz em Madrid, o actual clube de José Mourinho, cuja estreia pelos madridistas ocorre precisamente em Palma de Maiorca. Em Agosto, sim, mas de 2010. Acaba 0-0, sem histerismos. E hoje como se será?

Hoje, Maiorca-Real Madrid às 19 horas na SportTV 2

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