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Cheias. Lojistas de Albufeira ainda não receberam pelos estragos de 2008
Ontem, mais de 24h depois das inundações, continuavam os trabalhos na Baixa de Albufeira

Cheias. Lojistas de Albufeira ainda não receberam pelos estragos de 2008

Rosa Ramos 03/11/2015 15:15

Câmara atribui a culpa das cheias ao programa Polis.

Câmara já avançou com o pedido de calamidade pública e comerciantes dizem que ainda não foram ressarcidos das cheias de há sete anos e atribuem inundações ao programa Polis, que destruiu o sistema de esgotos para construir condutas  demasiado pequenas.  

“Largos milhares de euros de prejuízos”. A câmara de Albufeira admitiu ontem que as cheias de domingo no Algarve – que causaram a morte a um idoso de 80 anos, obrigaram ao realojamento de várias famílias e cortaram a energia eléctrica a milhares de pessoas – causaram prejuízos “elevados”. 

Ontem ao fim da tarde, o presidente da autarquia, Carlos Silva e Sousa, anunciou que irá avançar com o pedido de calamidade pública. Com pedido ou sem ele, a câmara terá em breve muitas contas para ajustar. E, além das consequências do  mau tempo deste fim-de-semana, terá ainda de regularizar dívidas relacionadas com as cheias que afectaram a cidade em 2008.  É que, segundo revelou ontem o presidente da Associação de Comerciantes de Albufeira, os donos de lojas que enfrentaram prejuízos há sete anos ainda não foram ressarcidos. “E neste momento existe uma enorme revolta e preocupação por parte do comerciantes relativamente a conseguir obter respostas com alguma brevidade”, admitiu à Lusa Luís Alexandre. 

O empresário acrescentou que as inundações em Albufeira – em alguns locais a água chegou a atingir perto de 1,80 metros de altura – se devem, em parte, ao mau planeamento na construção da baixa da cidade. E exemplificou com o facto de as condutas de águas pluviais terem um “diâmetro inferior ao aconselhável”, o que favorece a acumulação de água. A questão não é nova e foi levantada aquando das cheias de 2008. De tal forma que o Bloco de Esquerda chegou a questionar o então ministro do Ambiente  sobre uma possível relação entre as cheias que ocorreram e as obras do programa Polis em Albufeira. Na pergunta enviada ao governo, o Bloco recordava que um ex-vereador da autarquia e arquitecto teria afirmado em 2007, num congresso público, que os esgotos da cidade teriam sido destruídos e substituídos por “minúsculas condutas” e “escoantes erradas” que agravam o risco de inundação. “As cheias de 2008 deveram-se também ao facto de, não só o Polis como a Câmara de Albufeira, terem instalado canos com diâmetros insuficientes, como, ainda por cima, terem construído paredes nas caixas de água para evitar que a água fosse para a praia”, confirmou ontem o presidente da Associação de Comerciantes. 

Segundo informações adiantadas ontem pela Asprocivil – Associação de Técnicos de Segurança e Protecção Civil, no domingo choveu, entre as 5h da manhã e as 14h, 102 litros por metro quadrado, quando a média normal seria de  90 litros. E o período mais crítico verificou-se entre o meio-dia e as 13h. 

cheias causam um morto Ontem, durante todo o dia, bombeiros, Protecção Civil e equipas de limpeza tentaram remover lamas e objectos arrastados pela corrente em vários pontos do Algarve. Na Baixa de Albufeira, a zona mais afectada pelo mau tempo, ainda havia sinais de trânsito e mobílias espalhadas pelas ruas, com o comandante dos bombeiros locais a admitir que as operações de limpeza deverão prolongar-se por pelo menos mais duas semanas. 
Nas ruas estiveram também cerca de meia centena de técnicos da EDP a tentar reparar os estragos causados nos circuitos eléctricos e que deixaram mais de 1500 comerciantes sem luz. 

Entretanto, a GNR anunciou, ao início da manhã, que o idoso de 80 anos que estava desaparecido desde domingo à tarde em Areias de Boliqueime foi encontrado, depois de terem sido mobilizados para as buscas mergulhadores e um binómio da equipa cinotécnica da GNR. O cadáver estava a cerca de 100 metros do carro que o idoso conduzia quando foi apanhado por uma enxurrada. 

tempo continua instável Ao longo da semana deverão registar-se melhorias no estado do tempo em todo o país, prevê o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). A partir de hoje, a depressão responsável pelo mau tempo desloca-se para Espanha, sendo por isso previsível que, a partir da tarde, haja melhorias – ainda que o tempo permaneça instável e continuem pelo menos até amanhã os períodos de chuva, sobretudo no litoral Norte e Centro. A precipitação, prevê o IPMA, deverá desaparecer na quinta-feira. 

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