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Lena paga 2 milhões de comissões a Carlos Santos Silva anos antes de concluir o negócio
Administrador do Grupo Lena admitiu que Silva usou as suas contas

Lena paga 2 milhões de comissões a Carlos Santos Silva anos antes de concluir o negócio

Administrador do Grupo Lena admitiu que Silva usou as suas contas Alvaro Isidoro/Global Imagens Augusto Freitas de Sousa 31/10/2015 19:44

Processo Marquês. Administrador do grupo Lena terá admitido que Carlos Santos Silva intermediou negócio em Angola.

Os depoimentos do administrador do grupo Lena, Joaquim Barroca, não deverão ser, ao que tudo indica, os mais importantes para provar a tese do Ministério Público (MP). Desde que foi detido, em Abril deste ano, o administrador foi ouvido três vezes e, conforme foi tornado público pelos órgãos de comunicação social, em todas as inquirições houve inúmeras perguntas que ficaram sem resposta.

Em Abril admitiu que o amigo de Sócrates usou as suas contas para movimentar dinheiro, sem porém conhecer a sua origem e destino. Os investigadores acreditam que os mais de 12 milhões de euros que passaram por uma das contas que Joaquim Barroca detinha na Union des Banques Suisses (UBS) envolveram o accionista do empreendimento de Vale do Lobo Hélder Bataglia e o holandês Jeroen Van Dooren, que teria comprado um lote de terreno naquele resort. O MPacredita que pelo menos parte desse dinheiro pertence a José Sócrates.

No segundo interrogatório, que também foi noticiado, Joaquim Barroca manteve a versão de que não conhecia o cidadão holandês Van Dooren, apesar de os registos bancários apontarem para transferências de milhões de euros na sua conta na Suíça. Sobre a venda de um terreno em Sintra ao empresário Rui Mão de Ferro, Barroca esclareceu que foi Carlos Santos Silva que lhe apresentou o comprador. 

Na terceira vez que Joaquim Barroca foi ouvido, fonte próxima do processo assegura que os temas passaram mais uma vez pelo empreendimento de Vale do Lobo e pela presença do grupo Lena em Angola. Oadministrador do grupo explicou que a empresa tinha uma empreitada em Vale do Lobo que executou. Confirmou ainda que o grupo de Leiria fez apenas uma obra naquele empreendimento do Algarve. O MP quis saber se não haveria a possibilidade de um segundo concurso de obras que perspectivava ganhos da ordem dos 60 milhões de euros. Barroca terá afirmado desconhecer a hipótese, mas admitiu que poderiam ter falado da compra de um outro lote, mas que nunca se chegou a concretizar.

Os contactos de Joaquim Barroca

A defesa de Joaquim Barroca reafirmou não conhecer Van Dooren nem os contornos da transferência de 2 milhões de euros que o holandês terá feito para a sua conta na Suíça, que por sua vez terá sido dividida em duas, uma delas para Carlos Santos Silva e a restante em benefício de Armando Vara.

Fonte próxima do processo referiu que relativamente ao ex-governante socialista Barroca afirmou ter tido dois contactos entre os anos de 2007 e 2008. Uma das vezes reuniu-se na Caixa Geral de Depósitos (CGD)para discutir financiamentos de concessões rodoviárias, um negócio que não avançou. A segunda vez que marcou um encontro com Armando Vara foi para conversar sobre o conhecimento que a CGDou outros bancos poderiam ter sobre a construtora Abrantina, que o grupo Lena queria comprar. O negócio veio a concretizar-se, embora JoaquimBarroca diga ter sido enganado, uma vez que a Abrantina teria escondido imparidades.

Ainda quanto à CGD, o empresário leiriense referiu que a empresa tem plafonds aprovados para garantias bancárias. Mencionou que conhecia Francisco Bandeira apenas de viagens empresariais, mas negou que tivesse passado por ele algum tipo de financiamento entre a CGD e o seu grupo empresarial.

Nas questões que diziam respeito a Angola, Barroca confirmou que a empresa detinha um terreno na Baixa de Luanda (Moncada e Canhangulo) que inicialmente seria destinado à construção e posterior venda de imóveis. Todavia, como em 2011 necessitaram de verbas para fazer frente à crise, venderam o património a uma empresa que o empresário leiriense não sabia se  tinha sido a Escom, o BES Angola (BESA) ou o próprio Hélder Bataglia. Barroca explicou que em Angola havia poucos compradores com capacidade financeira e foi Carlos Santos Silva quem lhe apresentou Hélder Bataglia e foi também quem intermediou a venda. Joaquim Barroca admitiu que poderia ter feito um contrato com o amigo de José Sócrates no sentido de ele ficar com uma comissão que podia ir além dos 20%. Confirmou ainda que teriam sido pagos valores que rondavam os 2 milhões de euros numa venda que atingiu montantes na ordem dos 12 milhões. Mas o grupo Lena terá pago a Carlos Santos Silva a comissão em 2010 e só terá recebido o dinheiro do negócio em 2012, altura em que terá também sido feita a escritura. Barroca insistiu que o grupo Lena estava numa fase muito difícil e qualquer venda que proporcionasse dinheiro vivo era bem--vinda. Quanto às comissões, o empresário explicou que o património em Angola valorizava mais de 20% ao ano, pelo que a comissão nem seria exagerada se houvesse de facto uma venda.

Fonte próxima do processo revelou ainda que o MPnão compreende como pode Carlos Santos Silva receber uma comissão dois anos anos antes de um negócio que poderia não ter acontecido, uma vez que nessa altura apenas havia um contrato de promessa de compra e venda. A essas alegações, Joaquim Barroca terá dito que todos os negócios envolvem o seu risco.

O empresário confirmou que empresa Angola Investimento Imobiliário faz parte do grupo Lena, e que se dedica a negócios naquele país e tem administradores próprios. Relativamente à relação do grupo Lena com o BESA, Barroca explicou que mantinham relações com todos os bancos em Angola. Depois da venda dos terrenos, cerca de 7 milhões de euros ficaram cativos no BESA, uma vez que havia dificuldade em retirar verbas de Angola. Cativavam verbas no BESAem Angola e o BES aprovava financiamentos em Portugal. Ainda sobre essa altura em que as verbas ficaram cativas, Joaquim Barroca afirmou não se lembrar se ainda seria Hélder Bataglia o responsável do banco.

Por último, fonte próxima do processo referiu que Barroca confirmou que havia um negócio em Luanda que envolvia o Grupo Lena e uma empresa com o nome Lescom, mas negou que tivesse alguma coisa a ver com a Escom.

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