25/05/2022
 
 
Isabel Stilwell 31/10/2015
Isabel Stilwell

opiniao@newsplex.pt

A fúria dos homens é muito convincente

Um homem indignado convence muita gente, revela um estudo da Universidade do Arizona. Já as mulheres não têm sorte nenhuma. José Sócrates é a prova de que a ciência não se engana.

1. A arma da fúria.

O discurso inflamado dos homens é muito mais convincente que o das mulheres, quer o juízo seja feito por elementos do sexo feminino ou masculino, revela um estudo da Universidade do Arizona, noticiado pela revista “Time”. A investigação envolveu 210 estudantes universitários, de ambos os sexos, que acordaram em fazer parte de um júri simulado no computador, ao lado de quatro jurados virtuais.

Ao longo das sessões sobre a culpa ou inocência de um homem em julgamento, sempre que o falso jurado homem (James) exprimia a sua opinião com indignação e fúria, 19% dos estudantes vacilavam nas suas próprias opiniões, enquanto a fúria da falsa jurada mulher (Alice) surtia o efeito oposto, levando até a que 13% se sentissem ainda mais confiantes na decisão tomada!

Quando se chegou ao veredicto final e James se manifestou num discurso inflamado de raiva, 18% dos seus colegas do júri alteraram o sentido do seu voto. Já quando Alice tentou a mesma estratégia, zero pessoas mudaram de opinião. Resultados, aliás, que vão ao encontro de um outro estudo em que alunos da Harvard Business School aceitavam uma proposta de trabalho com um CEO masculino, tido como muito agressivo, mas recusavam-na quando lhes era dito que se tratava de uma mulher. 

Jessica Salerno, a investigadora principal, defende que partimos sempre do princípio de que a “ira masculina é situacional, ou seja que ‘ele deve ter uma razão segura para reagir de forma tão apaixonada’”, enquanto a ira feminina é considerada interna, parte da personalidade: “Ela reage assim, porque é muito emocional, não está a pensar com a cabeça!”

Cá para mim, suspeito que o eng.º José Sócrates já tomou conhecimento da investigação e decidiu reforçar os seus métodos, a avaliar pela sua prestação na extraordinária sessão com o cognome de “Justiça e Política”. Convenceu, pelo menos, três canais a transmitir em directo... 

2. Segredo de justiça.

justiça parece, de facto, fazer-se em todos os lugares excepto nas salas dos tribunais. E com a bênção do Ministério Público. Como é possível que quando existem tecnologias informáticas que permitem saber quem abriu e fechou um ficheiro, quem o enviou, exportou ou importou, tecnologias que inclusivamente tornam impossível que alguém não autorizado abra um documento, o MP nunca consiga saber de onde vieram as fugas nem tão- -pouco determinar quem foi o responsável?

E se a lei permite que jornalistas se constituam assistentes de um processo, e se parte do processo aparece no dia seguinte nas páginas dos jornais, como é possível que não haja uma reacção imediata de quem tem a obrigação de preservar a inocência de um cidadão até a uma condenação formal? É que, se o tivessem feito, não teriam sentido providências cautelares que, por serem requeridas pelo arguido, geram sempre a suspeita de que a justiça aceitou lançar um manto escuro sobre a liberdade de expressão? 

3. Julgamento com chamadas de valor acrescentado.

No caso Sócrates, já “assistimos” a tantos interrogatórios, lemos tantas “provas”, fizemos tantas contas de cabeça, ouvimos tantos tempos de antena que agora só faz sentido que as alegações finais também se façam nos media. Às segundas, quartas e sextas fala a acusação, e às terças, quintas e sábados tem o palco a defesa. Segue-se uma votação do público, através de chamadas de valor acrescentado cujos proventos revertem para equipar o MP de mais tecnologia. 

18% dos jurados mudaram de opinião, face ao discurso inflamado de um "colega" de júri

Jornalista e escritora 
Escreve ao sábado 

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