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Boogarins. Este delírio tropical não é samba não
Dinho, o primeiro a contar da esquerda.Os outros fazem com ele os Boogarins

Boogarins. Este delírio tropical não é samba não

Dinho, o primeiro a contar da esquerda.Os outros fazem com ele os Boogarins Beatriz Perini Tiago Pereira 30/10/2015 20:05

O segundo disco do grupo brasileiro, “Manual”, é editado hoje.A 14 e 15 de Novembro estão em Lisboa e no Porto. Antes falámos com eles.

2013, o ano da graça dos Boogarins. Nós, neste mundo habitual, a ouvir “As Plantas Que Curam”, álbum que veio sabe-se lá de onde para dizer que o psicadelismo tropical é dos melhores mundos paralelos que podemos conhecer. Já se sabe, uma vez lá metidos, perdidos para sempre. Daí que, dois anos depois, cá estamos. Hoje é dia de “Manual”, é a data marcada para a edição de um novo disco deste brasileiros. Pelos menos para nós, que nunca mais largámos a tropicália ácida do quarteto, estávamos há uns tempos a aguardar este regresso. Dizemos isso mesmo ao nosso entrevistado, Dinho, o homem da voz, das guitarras e de quase todas as canções dos Boogarins: “Expectativa?”, pergunta-nos. “Isso também nós temos. Que saia logo esse disco.”

Está feito, sai hoje, e é uma deliciosa viagem pelo meio de todas as cores, as que conhecemos e muitas outras, tudo a dançar, olhos fechados, mãos ao alto e seguimos no meio de uma felicidade parva, que nem sempre se explica mas ninguém quer questionar. E já estávamos a voar alto outra vez. De regresso ao que importa: Dinho, mas porquê essa pressa de ver o disco à venda? “Gravámos isso há muito, temos estado sempre a tocar. Também temos a nossa expectativa, que tem mais a ver com alívio. Que bom que está chegando o dia.”

Fazer um primeiro álbum, digressão, escrever e gravar outro pelo meio, quando dão por ela os rapazes percebem que isso de tournée agora é “a vida toda”. No final o resultado não é cansaço, é um “vamos ver no que vai dar”, conta o músico. Sem problema, nós explicamos no que vai dar, Dinho. É o que se viu com“As Plantas Que Curam” mas com mais gente à procura desses punks da selva. Já estão em Londres, vão passar por Portugal, mas nos intervalos destes destinos mais óbvios há o mundo inteiro. É nisto que “Manual” vai dar. E porquê? Porque o psicodélico – no Brasil sê brasileiro – está na moda ou porque este é mais tropical que os outros? “Não sei disso não, isso me parece técnico de mais. O que sei é que as músicas são fáceis de aceitar. Você ouve e quando menos espera tem a canção na cabeça, não sai mais. É pop isso, não é?”

Pop mais pop seria difícil, claro. Os Boogarins fazem canções como miúdos no meio do parque: cada um tem uma ideia para juntar à brincadeira. Vem de lá Benke Ferraz, baixista, para organizar o bando e sai uma gravação bem feita, atenta aos detalhes que fazem a diferença. Era assim no início, assim continua agora. Se há sucesso? “Há, é bonito.” Só isto. “Um dia alguém perguntou se era desta que íamos cantar em inglês...” E qual foi a resposta? “Acho que não foi nenhuma, não percebei porque é que isso iria acontecer sequer.” Nós também não, agradecemos a decisão. “Nós é do tipo tranquilo”, conta Dinho do alto da sua bacanidão geral. “O que tiver acontecendo está bom para nós. Muita gente espera mais bossa ou MPB quando ouvem o nome da banda ou descobrem que somos brasileiros.

Mas é o que é, todo o mundo funciona por associação, é normal, não tem problema. Saber que há quem nos espere com as canções decoradas em Londres ou Lisboa, só isso já chega, não precisa mais não.”
“Manual” foi meio gravado ao vivo em estúdio, meio trabalhado ao detalhe. Os Boogarins vêm a Portugal em breve e dizem que não nos enganemos:“Isso que vão ouvir em disco não dá para repetir. É sempre diferente. Apareçam, apareçam em todos concertos.” Vamos lá, Dinho, vamos lá.

Os Boogarins actuam a 14 de Novembro no Musicbox, em Lisboa, e a 15 no Maus Hábitos, no Porto

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