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Carne. Risco de cancro abala sector que emprega quase 16 mil trabalhadores
Portugal produziu no ano passado 72,2% daquantidade de carne necessária para o consumo nacional

Carne. Risco de cancro abala sector que emprega quase 16 mil trabalhadores

Portugal produziu no ano passado 72,2% daquantidade de carne necessária para o consumo nacional Nuno Veiga/Lusa Sónia Peres Pinto 28/10/2015 15:09

Industriais de carne dizem que o cancro está dependente de uma combinação de factores: idade, genética, dieta, ambiente e estilo de vida.

A indústria de carne em Portugal conta com 641 empresas e emprega 15 833 trabalhadores, dividida pela actividade de abate de gado, de aves e fabricação de produtos à base de carne, revelam os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) relativos ao sector.

A verdade é que o relatório da Organização Mundial de Saúde aponta apenas os riscos de ingestão de carne processada – bacon, salsichas e presunto, entre outros produtos –, associando o consumo destes alimentos ao cancro colorrectal, mas a revelação acaba por afectar todo o sector.



Para os industriais de carne, é “inapropriado atribuir a um único factor um risco aumentado de cancro”, uma vez que se trata de um “assunto muito complexo, que pode estar dependente de uma combinação de muitos factores, tais como a idade, a genética, a dieta, o ambiente e o estilo de vida”, revela a Associação Portuguesa dos Industriais de Carnes (APIC). 

Segundo a mesma associação, “não é um grupo específico de alimentos por si só que define os riscos associados à saúde, mas a dieta como um todo, em conjunto com qualquer dos outros factores”, acrescentando ainda que este estudo “não teve em consideração a real exposição à substância ligada ao seu potencial de causar cancro”.

A associação diz ainda que o risco relativo de cancro resultante do consumo de produtos à base de carne é mais baixo que o risco produzido por outros factores, como um índice de massa corporal inadequado, a falta de actividade física e o tabagismo. Ao mesmo tempo, salienta que há factores ambientais (ar exterior, poluentes, contaminantes do solo e água) que envolvem valores de risco “muito mais elevados”e, por isso mesmo, aconselha a manter a ingestão média actual de produtos à base de carne.

Contactada pelo i, a Sicasal, marca portuguesa de carne fresca e charcutaria, diz que a posição da empresa é a mesma da APIC e reafirma ainda que “sempre respeitou a mais rigorosa legislação europeia em vigor”. A empresa tem como principal actividade o abate e a transformação de carne de suíno. A sua comercialização é feita sob a forma de carne fresca e produtos transformados. No ano passado apresentou um resultado líquido de 4,5 milhões de euros e também está presente em mercados externos, como Luxemburgo, Espanha, Canadá, França, Suíça, Inglaterra, Hong Kong, Moçambique e Angola. 

Também os produtores de presunto de Barrancos já vieram contestar este estudo, mas admitem estar tranquilos porque fazem “produtos de qualidade, seguindo todas as normas que regulam o mercado”.

De acordo com o director-adjunto da Barrancarnes, João Chamorro, o produto é trabalhado de forma natural. “O nosso produto é curado naturalmente, não recorremos a fumeiro, é cura totalmente natural”, mas acredita que este estudo “poderá ter um impacto de assustar o consumidor”, o qual, se “usar o senso comum e comer de forma variada, de tudo um bocadinho, não vai ter problemas nenhuns”.

Restauração pede tranquilidade Para a Associação de Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), o relatório da OMS sobre carne processada “deve ser encarado tranquilamente e sem pânico” pelos consumidores. 
O director-geral da associação, José Manuel Esteves, chama a atenção para a necessidade de equilíbrio alimentar e lembra que Portugal é dos países com uma dieta mais equilibrada no mundo. “Quero lembrar que somos um dos maiores consumidores de peixe e temos também duas dietas importantes (a mediterrânica e a atlântica) e somos líderes europeus nas boas práticas de higiene e segurança alimentar”, diz.  
 
Raio X do sector A produção total de carne, de acordo com os dados do INE, registou em 2014 um acréscimo de 1,8% devido sobretudo ao maior volume de carne de suíno e aves de capoeira. Já a produção de carne de bovino diminuiu pelo terceiro ano consecutivo, não ultrapassando as 80 mil toneladas. 

Os mesmos dados indicam ainda que Portugal produziu apenas 72,2% da carne necessária para satisfazer as necessidades de consumo. Já o consumo médio anual de carne foi superior a 108 quilos por habitante.
As exportações de produtos da agricultura e agro-alimentares em 2014 aumentaram 4,7% em relação ao ano anterior, totalizando 3,6 mil milhões de euros, o que representa um aumento de 161 milhões de euros. Já as importações diminuíram 4,3%, para 6,9 mil milhões de euros. Relativamente aos principais clientes dos produtos nacionais, Espanha continuou a ser o destino mais relevante (peso de 36,9% em 2014), seguindo-se Angola (11,8%), França (9,1%) e Brasil (6,3%). 

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