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Valpaços com quebra de 20% na produção de castanha

Valpaços com quebra de 20% na produção de castanha

José Sérgio Jornal i 27/10/2015 17:42

A produção de castanha no concelho de Valpaços regista nesta campanha uma quebra de 20% comparativamente com um ano médio, uma situação lamentada por autarcas e pelos agricultores que têm neste fruto a sua principal fonte de rendimento.

 

O presidente da Câmara de Valpaços, Amílcar Almeida, referiu que este concelho do distrito de Vila Real possui uma produção média de castanha que ronda entre as 10 e as 12 mil toneladas e representa cerca de 40 milhões de euros de volume de negócio.

“Este fruto representa 40% do rendimento do sector primário no concelho”, salientou o autarca, que falava durante a apresentação da 19.ª edição da Feira da Castanha de Carrazeda de Montenegro.

No entanto, segundo Filipe Pereira, técnico da Associação Regional de Agricultura das Terras de Montenegro (ARATM), devido à seca sentida neste verão muitas castanhas não cresceram dentro do ouriço e, para além disso, a região ainda se está a ressentir com os efeitos do fungo que, no ano passado, atingiu as zonas mais altas da Denominação de Origem Protegida (DOP) da Padrela.

Este fungo, a septoriose do castanheiro, provocou quebras brutais em 2014 e, segundo o responsável, este ano os castanheiros só estão a produzir a 60 ou 70%.

Hernâni Sousa, presidente da junta de freguesia de São João da Corveira, uma das áreas maia afectadas pelo fungo, disse à Lusa que houve alguma melhoria de produção este ano, mas ainda aquém do esperado pelos produtores.

“Foi um ataque bastante forte. No ano passado foi uma situação dramática e este ano, nos meus 836 castanheiros, que costumam dar 10 mil quilos de castanha, eu prevejo apanhar apenas metade”, salientou.

Segundo Hernâni Sousa, cerca de 80% das famílias destas aldeias têm na castanha o seu “principal meio de subsistência”.

Muitos arranjam emprego também na altura da apanha. “Pago normalmente jeiras do valor de 1.300 a 1.400 euros. Este ano infelizmente não vou gastar metade porque não há castanhas para apanhar e eu não posso chamar as pessoas”, salientou o autarca de São João da Corveira.

Na aldeia de Sobrado, também Armando Ferreira, que estava a apanhar no souto de seis hectares, referiu que “há menos castanha do que um ano normal, mas a qualidade é de primeira, é óptima”.

Os produtores queixam-se que a procura “ainda é diminuta”, até porque o fruto caiu mais cedo da árvore, mas acreditam que, com o começo das feiras, se consiga vender melhor.

A Feira da Castanha decorre de 06 a 08 de Novembro, na vila de Carrazedo de Montenegro, e vai ter 79 stands de venda de castanha, de vinho, azeite, mel, licores e artesanato. A principal atracção continua a ser o bolo de castanha com 600 a 700 quilos.

Amílcar Almeida defendeu que é preciso inovar no sector da castanha. Por isso mesmo, sublinhou que o município disponibiliza terrenos na zona industrial a preços simbólicos e está disposto a isentar as taxas e licenças para quem invista na área da transformação da castanha e crie postos de trabalho.

A feira inclui a realização das jornadas técnicas da castanha, onde se vai falar sobre as doenças e pragas que afectam os soutos, como a vespa do castanheiro e a tinta.

O autarca lembrou que o município investiu 80 mil euros na luta contra a vespa, que foi detectada pela primeira vez este ano na região, e sublinhou que na primavera as brigadas criadas pela câmara irão percorrer, de novo, todos os soutos para procurarem as galhas infestadas.

A vespa aloja os seus ovos nos gomos dos castanheiros que, depois de infectados, não conseguem dar mais fruto.

Lusa

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