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É oficial. As carnes processadas são cancerígenas e as vermelhas talvez
Direcção-Geral da Saúde diz que consumo não é problemático, desde que moderado e com vegetais

É oficial. As carnes processadas são cancerígenas e as vermelhas talvez

Direcção-Geral da Saúde diz que consumo não é problemático, desde que moderado e com vegetais SEBASTIEN BOZON/AFP/Getty Images Rosa Ramos 27/10/2015 10:51

Bacon, presunto e salsichas aumentam risco de cancro colorrectal, concluiu a Organização Mundial da Saúde.

Comer 50 gramas de carne processada – como salsichas, bacon, fiambre ou presunto – por dia aumenta em 18% o risco de aparecimento de cancro colorrectal. O aviso é da Organização Mundial da Saúde (OMS), que ontem apresentou as conclusões do mais recente relatório sobre o cancro. O documento, da Agência Internacional do Cancro (IARC), coloca as carnes processadas (salgadas e fumadas) no grupo 1 de subs-tâncias cancerígenas, onde estão o tabaco ou o amianto. E as carnes vermelhas, concluiu a equipa de 22 especialistas responsáveis pelo relatório, também serão “provavelmente” cancerígenas, passando a figurar no grupo 2A, de substâncias “provavelmente cancerígenas nos humanos”. Neste grupo, o IARC inclui as carnes de vaca, borrego e porco. 

Quanto às carnes processadas, a agência concluiu existirem “provas suficientes de que, nos humanos”, podem provocar cancro colorrectal, tendo sido também registada uma associação com o cancro do estômago. Já o consumo de carnes vermelhas, diz o relatório, poderá estar relacionada com cancros colorrectais, mas também no pâncreas e na próstata. 

mudar de hábitos “Para os profissionais de saúde, não é novidade. Há estudos que associam estes alimentos ao cancro, assim como identificam os hortofrutícolas como potenciais diminuidores do risco de doença oncológica”, afirmou ontem à Lusa a bastonária da Ordem dos Nutricionistas. Alexandra Bento sublinhou que este estudo é um alerta para a necessidade de uma mudança de hábitos alimentares. “Se sabemos que há uma relação entre os hábitos alimentares e a saúde e que os erros alimentares podem levar a doenças, nomeadamente ao cancro, então devemos pensar nos alimentos que devem ser a base da nossa alimentação”, avisa a especialista.

A Direcção-Geral da Saúde (DGS) também reagiu ao estudo da OMSe considera que o consumo de carne processada não é problemático, desde que seja moderado e incluído em refeições que contenham alimentos protectores, como frutas e hortícolas. “Não é um bife de vaca que, apesar de dever ser consumido de forma moderada, vai provocar o cancro. Mas o seu consumo deve manter-se ou ser reduzido para até 500 gramas por semana, o que equivale a quatro ou cinco refeições de carne por semana”, explicou à Lusa o director do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, Pedro Graça. 

portugueses comem menos Segundo o relatório “Alimentação Saudável em Números 2014”, baseado em dados do Instituto Nacional de Estatística, o consumo de carne de vaca e de porco tem vindo a diminuir em Portugal desde 2008, enquanto o da carne de aves tem vindo a subir. “Mesmo assim, a proporção de proteína de origem animal ainda está acima do desejável”, lê-se no documento. 

De acordo com os dados do INE, de 2008, a carne bovina tinha um peso no consumo de 19,6 quilos por habitante, que baixou para 16,7 em 2012. Também a carne de porco registou uma tendência decrescente, passando de um consumo de 47,1 quilos por habitante em 2008 para 43,3 quilos por habitante em 2012. Já o consumo de carne de animais de capoeira foi aumentando de 33,8 quilos por habitante em 2008 para 35,8 quilos em 2012. 

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