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Estudo de 12 países dá pistas sobre resposta da floresta a alterações climáticas

Estudo de 12 países dá pistas sobre resposta da floresta a alterações climáticas

Jornal i 27/10/2015 10:33

Um estudo internacional sobre o ciclo global do carbono, desenvolvido por investigadores de 12 países, vai fornecer pistas para prever respostas das florestas às alterações climáticas, anunciou hoje a Universidade de Coimbra (UC).

Uma investigação “sem precedentes” avaliou “o mecanismo de formação e crescimento dos anéis das árvores e a sua dinâmica de aquisição do carbono, contribuindo para entender melhor o ciclo global do carbono e o fenómeno das alterações climáticas”, afirma a UC, numa nota hoje divulgada.

Considerando que “a formação e desenvolvimento dos anéis das árvores interferem no processo de aquisição e acumulação de carbono”, os especialistas estudaram, ao longo de três anos, “o mecanismo de formação dos anéis em florestas de climas distintos”.

Além de contribuir para a “compreensão do ciclo global do carbono”, que tem sofrido profundas mudanças ao longo do tempo, a pesquisa pode “permitir estimar a quantidade de carbono sequestrado anualmente pelas florestas, ou seja, avaliar o contributo das árvores no controlo do dióxido de carbono (CO2)”, sustenta Cristina Nabais, coordenadora da equipa portuguesa envolvida no projecto.

“As florestas são grandes reservatórios de CO2 a longo prazo, mas a dinâmica deste processo é ainda pouco entendida”, sublinha a investigadora do Centro de Ecologia Funcional (CEF) da UC.

“Os anéis das árvores fornecem importantes sinais climáticos e, por isso, se entendermos toda a mecânica envolvida na sua formação e crescimento, bem como os impactos que essa mecânica tem na acumulação de carbono, temos pistas para prever respostas futuras das florestas no complexo problema das alterações climáticas”, salienta Filipe Campelo, outro dos investigadores da equipa portuguesa.

O estudo demonstrou que a formação dos anéis é altamente sensível ao fotoperíodo, isto é, à exposição à luz, sendo “o processo de acumulação do carbono nos anéis mais sensível à temperatura”, adianta a UC.

Além disso, ficou igualmente demonstrado que “a dinâmica de acumulação do carbono é muito diferente entre as florestas do Mediterrâneo e as florestas temperadas do norte da Europa”, indicador que é “importante para perceber o contributo relativo destas florestas para o ciclo do carbono”.

O estudo, que acaba de ser publicado na revista ‘Nature Plants’ (do “conceituado grupo Nature”), reuniu 33 investigadores da Alemanha, Áustria, Canadá, China, Eslovénia, Espanha, Finlândia, França, Portugal, República Checa, Rússia e Suíça, sendo a equipa portuguesa constituída por três especialistas do CEF da UC.

Lusa

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