20/9/19
 
 
Graça Canto Moniz 27/10/2015
Graça Canto Moniz

opiniao@newsplex.pt

O muro que não caiu

A esquerda até pode ter apoiado muitas revoluções, mas pouco (ou nada) evoluiu e ainda há bastantes muros por derrubar. 

© Andre Kosters/Lusa

Na sequência da proclamação de António Costa (AC), na semana passada, de que o “muro” tinha caído, secundada pelo historiador e guru ideológico Pacheco Pereira (PP), que garantiu que a “esquerda mudou”, no programa “Quadratura do Círculo” da SIC Notícias, ouvimos também o argumento da esquerda de que o CDS-PP também tinha mudado na história parlamentar portuguesa, sobretudo o eurocepticismo.

A diferença que cumpre registar é que para o CDS-PP mudar, ninguém proclamou a queda de um muro e não foram necessárias grandes ou pequenas revoluções; essa foi uma mudança gradual que foi ocorrendo ao longo de anos, como todos os processos evolutivos devem ser. 

O CDS-PP andou a par e passo com o tempo, nunca quis estar adiante ou atrás dele – esta, sim, é uma atitude verdadeiramente conservadora. Para o processo de mudança ocorrer de forma séria e consistente, mais do que grandes revoluções devemos assistir a pequenas evoluções. Ao contrário do PCP, que optou por congelar-se numa cápsula do tempo, foi isto que aconteceu no CDS-PP e na sociedade portuguesa.

Mas, não, para AC e PP, a transfiguração radical de uma realidade ocorre num espaço de semanas, como que por milagre, por via de uma simples proclamação, sem que nada nas ideologias políticas dos partidos de extrema-esquerda tivesse mudado.

O problema é que o muro mais importante, o muro intelectual, não cai de um dia para o outro, muitos menos para os militantes comunistas portugueses. Vamos a factos: não foi assim há tanto tempo (Fevereiro do ano passado) que no parlamento português, uma deliberação que condenava os crimes contra a humanidade perpetrados pela Coreia do Norte foi aprovada por todos os partidos menos pelo PCP.

Ainda este sábado, depois da declaração de Costa e do guru PP, precisamente no mesmo dia em que o PCP se mostrava contra a participação de Portugal em exercícios militares da NATO, em entrevista à TVI, Jerónimo de Sousa reafirmava a condição marxista--leninista do PCP.

A esquerda até pode ter apoiado muitas revoluções, mas pouco (ou nada) evoluiu e ainda há bastantes muros por derrubar. 

Blogger
Escreve à terça-feira 

Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×