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Capoulas Santos. "Seria uma grande irresponsabilidade manter o governo de gestão"
Capoulas Santos na campanha eleitoral com António Costa

Capoulas Santos. "Seria uma grande irresponsabilidade manter o governo de gestão"

Capoulas Santos na campanha eleitoral com António Costa MÁRIO CRUZ/Lusa Luís Clar 26/10/2015 10:12

O deputado socialista diz que o discurso de Cavaco é impróprio de um chefe de Estado.

Capoulas Santos voltou a ser eleito deputado na Assembleia da República, após uma longa passagem pelo Parlamento Europeu. Foi dispensado das listas para Bruxelas por António José Seguro, mas Costa foi buscá-lo para encabeçar a lista de Évora. Nesta entrevista, o ex-ministro critica Cavaco e diz que a única alternativa ao governo de esquerda é manter o executivo de direita em gestão. Mas, se o fizer, Cavaco está a assumir “uma atitude de grande irresponsabilidade”.

Cavaco Silva deu a entender que não aceitará um governo de esquerda. O que achou do discurso?

Provocou-me uma reacção de enorme indignação. Acho que são declarações impróprias de um chefe de Estado.

O discurso do Presidente uniu o PS?

Não tenho dúvidas sobre isso. O discurso do Presidente fez mais pela unidade do partido em 24 horas que porventura o próprio PS fez no último ano.

Podemos concluir que o PR não dará posse a um governo de esquerda?

A minha leitura do seu discurso é essa, mas o Presidente já nos habituou a dizer uma coisa e depois proceder exactamente ao contrário. Ele achava, em Junho, que devia existir uma maioria. Agora, não sendo a sua maioria, já não serve. Acho que duas situações podem vir ocorrer: ou o senhor Presidente é coerente com o seu discurso e manterá o governo em gestão durante vários meses ou é mais uma vez incoerente com o seu discurso e acabará por nomear António Costa.

Um governo de gestão teria consequências negativas?

Parece-me óbvio. Um Presidente que se oponha frontalmente ao parlamento e, num contexto como aquele que vivemos, entenda manter um governo em gestão, está a assumir uma atitude de uma grande irresponsabilidade.

Não há outra solução entre um governo de esquerda e um governo de gestão?

Está a referir-se a um governo de iniciativa presidencial? Uma solução dessas teria de passar pela Assembleia da República e não estou a ver que um parlamento que tem condições para gerar uma maioria possa aceitar qualquer outra solução. Seria uma solução de democraticidade duvidosa. Não me inclino para essa terceira hipótese. Não vejo por que razão o parlamento reprovaria um governo de Passos Coelho e aprovaria um outro sem nenhuma legitimidade democrática.

António Costa foi a Belém dizer que tem uma alternativa, mas o acordo entre o PS e os partidos à sua esquerda ainda não é conhecido. Isso não fragiliza essa alternativa?

E já conhecemos o programa de governo da direita minoritária? Ainda não foi divulgado. Por que razão é que o António Costa deveria divulgar o seu programa de governo antes de o governo indigitado o fazer? Tenho a certeza que será apresentado no momento próprio.

Qual é o momento próprio?

Provavelmente depois de este governo ser rejeitado. Se o governo cair no parlamento, quem se apresenta como alternativa tem obrigação de apresentar o seu programa no minuto seguinte.

O_Presidente da República disse que essa alternativa era claramente inconsistente e que receia a quebra de confiança das instituições internacionais...

Foram declarações preconceituosas. Existe um nítido preconceito, do meu ponto de vista ilegítimo e inconstitucional.

Acabará mal o mandato se rejeitar a solução apresentada pelo PS?

Este Presidente nunca acabaria bem o seu mandato. É um presidente que a história registará como um momento negro da nossa Terceira República.

Não tem dúvidas de que a moção de rejeição ao programa do governo será aprovada no parlamento?

Não tenho dúvidas, porque nunca pus em causa o padrão ético dos deputados eleitos pelo PS. Os deputados assumiram um compromisso de honra relativamente a um conjunto de matérias essenciais e não acredito que um único deputado o viole.

Não teme que o apoio do PCP e do Bloco acabe no dia em que for preciso avançar com algumas medidas impopulares? 

Julgo que António Costa, se for indigitado primeiro-ministro, apresentará um programa de governo responsável e no quadro de uma negociação que está a ser feita de boa-fé. Lembro-lhe que as experiências que o PS tem de coligações, até agora, são com o CDS e com o PSD e ambos romperam esses acordos. Nós temos más experiências com a direita e espero que a esquerda seja nessa matéria mais honesta do que a direita revelou ser com o PS. O que seria preocupante era que voltasse a haver um acordo à direita. Aí já poderíamos dizer que nas duas experiências anteriores eles não cumpriram. Neste caso parto do princípio de que o PCP e o BE estão de boa-fé. O que tenho ouvido dizer, por exemplo pelo Dr. João Soares, que fez um acordo com o PCP na Câmara de Lisboa, é que o PC sempre honrou os seus compromissos.

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