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Eléctricos ou híbridos. Carros alternativos ainda não convencem portugueses
Do início do ano até Agosto só 58 portugueses beneficiaram do incentivo aos carros amigos do ambiente

Eléctricos ou híbridos. Carros alternativos ainda não convencem portugueses

Do início do ano até Agosto só 58 portugueses beneficiaram do incentivo aos carros amigos do ambiente Predrag Vuckovic/Getty Images Sónia Peres Pinto 25/10/2015 13:49

Nem os incentivos fiscais atribuídos pelo governo desde o início do ano vieram salvar as vendas dos carros eléctricos. 

A meta prevista por José Sócrates, no seu segundo mandato, de alcançar uma quota de 10% de carros eléctricos até 2020, está longe de parecer possível. Segundo os últimos dados da Associação Automóvel de Portugal (ACAP), as vendas de veículos eléctricos e híbridos plug-in (carros movidos a gasolina ou gasóleo e electricidade) desde Janeiro até Agosto deste ano subiram em relação aos números de 2014, mas mostram que os consumidores portugueses ainda continuam muito dependentes dos carros movidos a combustíveis fósseis.

 Até Agosto venderam-se 355 carros eléctricos e 2407 veículos híbridos. Uma ligeira subida face aos anos anteriores, já que em 2014 venderam-se 216 carros eléctricos e 2805 híbridos e um aumento ainda maior quando comparado com os números de 2013: 193 eléctricos e 1948 híbridos. Durante estes três anos não se vendeu nenhum carro a gás. E nem no último mandato de Sócrates – altura em que os carros eléctricos tiveram maior propaganda – as vendas destes carros amigos do ambiente convenceram os portugueses. Exemplo disso são as unidades vendidas entre 2009 e 2011. No primeiro ano do seu mandato não foi vendido nenhum carro eléctrico, em 2010 foram vendidas 18 unidades e em 2011 foram comercializadas 208. 

Apesar de os carros eléctricos terem subiram 0,2% nas vendas totais deste ano, continuam a ter uma quota de mercado muito reduzida, a rondar 0,3% do total. E nem os incentivos atribuídos pelo governo desde o início do ano à compra de carros eléctricos veio salvar este segmento. No âmbito da reforma da fiscalidade verde, o executivo avançou, do início de Janeiro até ao final do ano, com um incentivo fiscal sob a forma de devolução de imposto sobre veículos (ISV) ou de atribuição de subsídio, mediante a compra de nova viatura. Os subsídios atribuídos variam entre os 3250 e os 4500 euros, sendo o valor mais elevado destinado à aquisição de veículos eléctricos novos. Já os veículos híbridos plug-in podem beneficiar de um cheque de 3250 euros mediante o abate de um veículo em fim de vida. A compra de veículos mais comuns, desde que apresentem um nível de emissão de CO2 que não ultrapasse os 100 g/km, será apoiada com 2 mil euros, enquanto um quadriciclo pesado eléctrico novo receberá mil euros.

O incentivo foi sempre visto pela Associação do Comércio Automóvel (ACAP) como uma medida para nichos e com muito pouca repercussão no mercado. “São medidas com que o governo quer ter algum mediatismo, mas o impacto é reduzido”, disse ao i o secretário-geral da associação, Hélder Pedro.

O que é certo é que nem estes incentivos convenceram os portugueses a trocar de carro para um ecológico. Segundo os últimos dados do governo, até ao início de Agosto apenas 58 portugueses beneficiaram do subsídio de 4500 euros para fazer essa troca.

Países com mais adeptos Mas nem todos os países têm mostrado estas resistências. Em Junho, a procura europeia por automóveis novos de passageiros cresceu 14,6% e prosseguiu a tendência ascendente iniciada há 22 meses. Neste total, os modelos com formas de energia alternativa, nomeadamente modelos 100% eléctricos, foram os que apresentaram maiores taxas de crescimento.

O espaço europeu já conta com um total de 144 421 veículos de combustível alternativo. A maioria destes carros está concentrada na Noruega (6208). Porém, o Reino Unido é o mercado com maior crescimento neste ano (64,2%), seguido da França (33,9%), Itália (18,1%) e Alemanha (11,3%). 

Entraves O crescimento deste segmento em Portugal tem enfrentado vários obstáculos. O custo elevado dos veículos eléctricos é ainda um dos principais motivos da fraca adesão. Mas os motivos não ficam por aqui. Outro problema diz respeito às dificuldades de carregamento (ver texto ao lado) e à fraca autonomia das baterias. Por norma, as baterias não conseguem autonomias superiores a 200 quilómetros, o que faz com que este tipo de veículos seja usado essencialmente para deslocações curtas e sobretudo urbanas.

No entanto, um estudo recente da BMW avisa que em média as pessoas conduzem cerca de 37 quilómetros por dia, o que significa que a utilização do carro eléctrico se adapta às necessidades da maior parte dos consumidores. 

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