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Zahav: A World of Israeli Cooking. A visita guiada obrigatória a uma cozinha israelita
Húmus como nunca o tínhamos visto

Zahav: A World of Israeli Cooking. A visita guiada obrigatória a uma cozinha israelita

Húmus como nunca o tínhamos visto Michael Perisco Miguel Branco 20/10/2015 19:50

Michael Solomonov é dono do Zahav, premiado restaurante de Filadélfia. Este livro foi cozinhado pelo mesmo chefe.

Entrar em pânico numa qualquer estação de metro de Moscovo é perfeitamente aceitável. Olha-se em redor, percebe--se que não sobram instruções em inglês e que o alfabeto cirílico – ou uma ajuda internacional – é a nossa única opção para nos safarmos. Decifrar a linguagem técnica da gastronomia, ou das conversas entre gente que pertence à disciplina – de chefes a críticos – é igualmente tarefa árdua, em que, apesar de já podermos recorrer ao inglês, tudo parece cirílico. O que queremos dizer, caro leitor, é que não precisa de se sentir mal por desconhecer que em Filadélfia existe um fantástico restaurante israelita chamado Zahav, liderado pelo chefe Michael Solomonov. E que também não é caso para se sentir culpado por este ser o título do último grande livro de cozinha que deve ter na sua estante. Para isso estamos cá nós.

Para muitos – nós incluídos – comida israelita não é mais que húmus e falafel. E se há coisa que o chefe Solomonov tem feito desde que em 2008 abriu o Zahav – em sociedade com Steve Cook, que também escreveu o livro a meias com o israelita – é deitar esta teoria abaixo. Em “Zahav: A World of Israeli Cooking” (agora editado pela Houghton Mifflin Harcourt) percebemos que as opções são praticamente infinitas e que mesmo quem não seja grande apreciador de húmus pode sempre trocar-lhe as voltas com uma abordagem mais adequada à cozinha do Sul da Europa.

O melhor – perdoe-nos quem só tem olhos para as fotografias que surgem nestes livros – não é o enorme glossário que conquistamos se tivermos o livro nas mãos; o melhor é a viagem que Solomonov nos propõe. Através da gastronomia israelita descortinamos a sua história. As receitas são associadas a um enredo biográfico perfeitamente intencional. O chefe – que em 2011 recebeu o James Beard Award para “Best Chef, Mid-Atlantic”, em 2014 foi nomeado pela “Eater” National Chef of the Year – nasceu em G’nei Yehuda, Israel, e aos dois anos mudou-se com a família para Pittsburgh, onde viveu até aos 19. Que é o mesmo que dizer que Solomonov é, em certa medida, americano, obviamente sem perder as suas raízes – a garrafa de tahini (uma pasta feita de sementes de sésamo utilizada em inúmeros pratos típicos israelitas) nunca deixou de estar em cima da mesa da sua casa em Pittsburgh – como se pode ler no seu livro: “Os israelitas adoram tehina [o prato feito a partir da pasta tahini] como os americanos gostam de Doritos e de wrestling – incondicional e um bocado irracionalmente.” 

Frases como estas são uma constante, entre as cerca de 360 páginas e mais de 150 receitas – “Há um provérbio triste mas verdadeiro que diz que os israelitas estão sempre preparados para duas coisas: para a guerra e para barbecues”, pode ler-se na secção dedicada à carne. 
Solomonov voltou a Israel com 19 anos sem saber falar hebraico. Foi trabalhar numa padaria, o início de uma aventura que agora se torna mais completa, com o livro. Hoje duvidamos que regresse a Jerusalém tão cedo, daí que ainda vá a tempo de planear a sua viagem a Filadélfia.

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