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“Tornámos o videoclip acessível a todas as bandas”

“Tornámos o videoclip acessível a todas as bandas”

Augusto Freitas de Sousa 20/10/2015 19:59

Gimba, músico e apresentador do "Popoff".

Quando soube desta reposição, qual foi a sua reacção?
Foi boa, claro. Sendo o “Popoff” uma referência histórica, é bom que esteja e fique acessível.

Já o viu depois de ter acabado?
Não. Nada. Zero...

Ao ver o programa, o que vai pensar um jovem de hoje, com a mesma idade que vocês tinham quando o fizeram?
Algo parecido com ver as fotografias a preto-e-branco do tempo dos nossos pais, mas com uma pica especial. É preciso não esquecer que nos autodenominávamos Os Punks do Vídeo.

Além de ser um dos pioneiros dos programas de música, o que trouxe este programa que possa ser recordado?
Tornámos o videoclip acessível a todas as bandas. Naquela altura só os artistas de topo das grandes editoras tinham videoclips. O “Popoff” veio democratizar isso. Vídeos para todos. E não só: entrevistas, notícias, divulgação, concertos, bastidores, actualidades, etc. Lembro-me que a postura dos convidados, e no fundo quem aparecia no ecrã, era descontraída, para não ir mais longe.

Hoje há menos liberdade?
Não se trata de liberdade mas de espontaneidade. Hoje os comportamentos e reacções são mais controlados. Se quisermos ir pelo caminho da teoria da conspiração, criou-se na sociedade moderna um ambiente de medo permanente...

Hoje há o “Portugal 3.0”, por exemplo...
Apresentado e muito bem pelo Álvaro Costa. É importante o Costa ser um semiveterano, pois traz intacto o espírito perdido dessas décadas mágicas, anos 80, 90, e fá-lo muito bem. Se o programa é uma versão moderna do “Popoff”... não creio. É um bom programa de música e de novas tendências. Alguém tinha de o fazer, e o Álvaro é a pessoa certa, pois mantém-se altamente culto e transversal.

O programa mudou a sua vida, na altura? Tem saudades?
Saudades, sim, claro. Mas o programa não mudou a minha vida da altura. Quando se dedica uma vida ao rock’n’roll não se muda. Vai-se rockando.

Se tivesse de escolher duas ou três coisas/momentos/experiências, pela positiva e pela negativa, quais destacaria?
É difícil responder. Houve muitas coisas positivas e quase nenhuma negativa. Por exemplo: não gostei de entrevistar o Elliott Sharp, porque não estava preparado para o fazer, e saiu uma coisa deprimente...

Nada daquilo era possível hoje, ou há coisas que não mudam?
Tudo seria possível e tudo seria mais fácil e mais rápido. Talvez a magia se perdesse por aí... 

Se lhe pedissem que pensasse um programa de música, o que faria?
Em princípio faria uma coisa didáctica. Ensinava as pessoas a ouvir música. Mas quem compraria este formato herege? No espírito do “programa bué de jovem sobre música” teria de passar o testemunho a alguém mais habilitado. Estou na música até ao pescoço, mas opero nas traseiras do sistema. Estou completamente fora e absolutamente desinteressado da fachada actual e mediática da nossa música moderna. 

O que faz hoje nesta área?
Trabalho em produção e espectáculos, produzo discos, espectáculos da Radio Royale, sou o criador das Royalettes, enfim, ando a explorar a era da música pré-rock. Passei de roqueiro a pré-roqueiro. Mas, como disse, detesto os holofotes da vulgaridade.

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