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Mais de 5 mil refugiados entraram na Eslovénia e o governo teve de impor limites
A Eslovénia limitou o fluxo de refugiados a 2500 por dia

Mais de 5 mil refugiados entraram na Eslovénia e o governo teve de impor limites

A Eslovénia limitou o fluxo de refugiados a 2500 por dia Boris Gradanoski/AP Diogo Vaz Pinto 20/10/2015 19:28

Porta-voz da ACNUR avisa que o fluxo é como um rio de gente e cada nova barreira provocará inundações

Não se sabe a que ponto será rigoroso o próximo Inverno europeu. O certo é que, para os milhares de refugiados que nas últimas semanas chegaram às fronteiras dos Balcãs e daí não conseguiram continuar para norte, se iniciou uma desesperante contagem decrescente.

Entretanto, e dadas as preocupações humanitárias que a paralisação gerou, com cerca de 10 mil pessoas debaixo de chuva e frio na fronteira entre a Sérvia e a Croácia, as autoridades croatas decidiram ontem à tarde abrir temporariamente o acesso dos refugiados ao seu território, e assim ao Espaço Schengen.

O sonho é que lhes venha a ser concedido asilo em países que lhes garantam um futuro mínimo. A Alemanha é o destino idealizado pela maioria, mas até para os alemães a gestão da crise está a revelar-se difícil. Se o governo não se cansa de repetir que o país saberá estar à altura do desafio, de momento há 42 mil refugiados a viver em tendas.

Começam a esgotar-se as opções de alojamento, numa altura em que os edifícios disponíveis foram convertidos em centros de acolhimento. E os refugiados continuam a chegar à Europa a uma média de 5 mil por dia.

Depois de a Hungria ter encerrado a sua fronteira a sul, o território tornou-se um novo obstáculo para os refugiados, que se vêem agora obrigados a contornar o país, tornando mais longa uma viagem que, na maioria dos casos, teve início em países avassalados por conflitos como a Síria e o Afeganistão.

Ontem o governo do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, congratulou-se pelo resultado da sua política de fechar todas as portas aos refugiados. Na véspera, informou, só 41 pessoas tinham conseguido furar as barreiras. Orbán assumiu com orgulho a construção de um muro de quatro metros de altura e 175 quilómetros ao longo da fronteira com a Sérvia, tendo depois estendido as vedações à fronteira com a Croácia.

Para o líder conservador, os refugiados, e em particular os muçulmanos, são uma ameaça não apenas à prosperidade europeia, mas à sua segurança e aos “valores cristãos” que supostamente permeiam a sua cultura.

Confirmados os receios das agências humanitárias, a fronteira entre a Sérvia e a Croácia (membro da União Europeia) tornou-se o novo foco do congestionamento, enquanto milhares de pessoas, muitas delas crianças, deram por si ao deus--dará, debaixo de chuva e frio, em terra-de-ninguém.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) avisara, antes da abertura da fronteira croata, queeram mais de 10 mil as pessoas que aguardavam há várias horas uma autorização para prosseguir, e isto no meio de uma situação caótica, não apenas por causa da intempérie e da falta de abrigos, mas pela falta de agasalhos e alimentos. Isso confirmou, na fronteira servo-croata, o porta-voz da ACNUR, Melita Sunjic, à Reuters, adiantando que a crise é “como um grande rio de gente, e que se o seu caudal é detido num ponto haverá inundações noutra parte”.

No sábado a Eslovénia quis fazer parte da solução abrindo as suas portas aos refugiados, mas depois de se ter visto a braços com um fluxo de 5 mil pessoas vindas ontem da Croácia, e com outras 1200 a caminho de comboio, tentou impor um limite, anunciando que não estava em condições de receber mais de 2500 pessoas por dia.

“Não podemos receber um número ilimitado se sabemos que eles não podem continuar a viagem”, disse o ministro do Interior esloveno, Bostjan Sefic, após referir que a Áustria comunicou que só vai receber 1500 pessoas por dia.

Se nos próximos dias os números aumentarem drasticamente, ou, ainda pior, se houver mais fronteiras encerradas, agravar--se-á de imediato o congestionamento, o que deixará os centros de acolhimento nas fronteiras a rebentar pelas costuras.

Alguns responsáveis pela gestão da crise avisam que nos próximos dias a situação pode sair fora do controlo das autoridades, uma vez que o fluxo não se deteve, com muitos refugiados a tentarem chegar à Europa antes que venha o Inverno e também receando que novas barreiras lhes sejam levantadas pelos países ao longo da rota.

Em Trnovec, na fronteira entre a Croácia e a Eslovénia, meio milhar de pessoas passaram a noite de domingo para segunda ao relento. Ao longo da rota, os governos têm recorrido a todo o tipo de edifícios vazios, antigos quartéis e escolas, tudo o que possa ser rapidamente convertido em habitação aquecida para os refugiados para o caso de o caminho adiante ficar bloqueado, enquanto os trabalhadores humanitários se esforçam por juntar cobertores, casacos fortes e tendas de Inverno, preparando-se para o pior. 

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