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Tudo sobre bactérias resistentes
Há cinco microrganismos epidemiologicamente importantes, conhecidos pelo acrónimo ESCAPE

Tudo sobre bactérias resistentes

Há cinco microrganismos epidemiologicamente importantes, conhecidos pelo acrónimo ESCAPE Shutterstock Marta F. Reis 15/10/2015 11:16

O que precisa saber...

O que é uma bactéria resistente a antibióticos e porque é tão preocupante?
O fenómeno da resistência existe desde o surgimento das primeiras bactérias. Contudo, com a evolução da medicina e a exposição aos antibióticos, as bactérias foram desenvolvendo rapidamente formas de resistir a estes medicamentos. Actualmente, o desenvolvimento de resistências é superior ao surgimento de novos antibióticos, facto que é agravado pela facilidade com que as bactérias comunicam entre si e partilham esses mecanismos de resistência. 

Como é que as bactérias ganham resistências?
Existem vários mecanismos pelos quais as bactérias desenvolvem resistência aos antibióticos. 
O fenómeno da resistência ocorre como uma resposta opressiva à exposição a antibióticos, favorecendo a lei de selecção natural da sobrevivência do microrganismo mais apto. Após a exposição aos antibióticos, as gerações seguintes de bactérias vão desenvolver mutações genéticas que as tornam resistentes.

Que bactérias preocupam mais os especialistas?
Actualmente há cinco microrganismos epidemiologicamente importantes, conhecidos pelo acrónimo ESCAPE:
•  Enterobactereaceae produtoras de ESBL
•  Staphylococcus aureus meticilino-resistente
•  Clostridium difficile
•  Acinetobacter baumanni multirresistente
•  Pseudomonas aeruginosas multirresistente
•  Enterococcus vancomicino-resistentes

A bactéria em causa em Gaia integra o grupo de microrganismos mais problemático?
Não, não se trata sequer de uma estirpe endémica em Portugal, já que apenas 1,8% dos espécimes isolados apresentam este tipo de multirresistência. Apesar de se tratar de uma Enterobactereacea, esta bactéria Klebsiella pneumoniae assume características particulares pela sua resistência a um grupo de antibióticos actualmente utilizados em meio hospitalar para o tratamento de infecções graves. 

Como se trata?
Apesar de apresentar resistência a vários antibióticos, existem ainda soluções terapêuticas viáveis, com recurso a antibióticos de uso exclusivo hospitalar. Contudo, a globalidade de doentes identificados no hospital de Gaia não são casos de infecção, pelo que não necessitam de tratamento com antibióticos.

Há estirpes para as quais já não existe mesmo nenhum antibiótico disponível?
Em Portugal nunca foi detectada nenhuma.

Estas bactérias resistentes só circulam nos hospitais?
A bactéria actualmente em causa não se encontra documentada na comunidade, estando restrita a meio hospitalar. Existem, porém, diferentes bactérias com multirresistência fora do âmbito hospitalar.
O meio hospitalar favorece a emergência de bactérias multirresistentes pela presença de doentes debilitados, recurso a dispositivos médicos invasivos e exposição a antibióticos.

Há o risco de, se os doentes tiverem alta, poderem levar a bactéria para o local de trabalho e contagiarem colegas ou vizinhos?
O reservatório natural da bactéria isolada em Gaia é o intestino humano, pelo que bons hábitos de higiene e lavagem frequente das mãos minimizam o risco de transmissão. O CHVNG/E está a fazer formação a todos os doentes e familiares, sensibilizando para práticas simples a integrar no seu dia-a-dia.

O que pode ser feito em termos de prevenção?
A abordagem desta bactéria resistente, ou de outras similares, assenta em alguns princípios básicos:
•  Uso racional de antibióticos, seguindo sempre a indicação médica
•  Cumprimento das precauções básicas de controlo de infecção, como lavar as mãos
•  Identificação precoce de microrganismos- -problema e implementação imediata de medidas especificas de isolamento

Quantas pessoas infectadas nos hospitais acabam por morrer?
Não há dados exactos, uma vez que não é possível saber, na maioria das vezes, se a infecção foi a causa derradeira da morte. Ainda assim, os últimos dados da DGS indicam que em 2013 houve cerca de 4600 mortes associadas a infecções por via de dispositivos como cateteres ou ventiladores. 

Com o contributo de Margarida Mota, do Grupo Coordenador Local do Programa de Prevenção e Controlo de Infecção e Resistência aos Antimicrobianos do Centro Hospitalar Gaia/Espinho

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