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Equipa de Coimbra investiga a cura para o envelhecimento das crianças
Carly foi diagnosticada com a doença. Na foto comemora o 5.º aniversário

Equipa de Coimbra investiga a cura para o envelhecimento das crianças

Carly foi diagnosticada com a doença. Na foto comemora o 5.º aniversário TeamCarlyQ.com Kátia Catulo 14/10/2015 18:46

Duas instituições americanas decidiram financiar o trabalho dos cientistas portugueses.

A esperança está toda concentrada numa molécula. O neuropeptídeo Y (NPY) pode vir a ser a solução para uma das doenças mais raras no mundo – a progeria, que afecta uma em cada oito milhões de crianças em todo o mundo. O corpo envelhece muito rapidamente e, como se trata de um mal incurável, estas crianças não chegam à vida adulta. A equipa do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da Universidade de Coimbra aposta tudo nesta molécula que pode vir a regular o envelhecimento precoce, contrariando os efeitos da síndroma de progeria de Hutchinson-Gilford.

A investigação é agora possível porque houve duas instituições americanas que decidiram financiar o trabalho dos cientistas portugueses. A equipa da Universidade de Coimbra vai investigar o potencial do NPY, que estimula uma espécie de reciclagem de partes envelhecidas das células, denominada autofagia. “Este financiamento vai permitir continuar a nossa investigação nesta doença fatal e, no futuro, poderá auxiliar na descoberta de uma estratégia terapêutica que contrarie o envelhecimento acelerado destas crianças”, conta a responsável pelo projecto, Cláudia Cavadas.

E, quem sabe, até pode vir a abrir portas para descobrir o verdadeiro elixir da juventude. Essa será uma consequência lateral do projecto, mas os investigadores não descartam a hipótese de as suas descobertas poderem vir a explicar o processo para “atrasar o envelhecimento natural de todos nós”, diz a investigadora.

A Fundação The Progeria Research Foundation (PRF) e a organização Carly Cares vão financiar durante dois anos a investigação do CNC. “A fundação tem financiado projectos em todo o mundo que resultaram em descobertas importantes sobre a progeria. A parceria estabelecida permitirá o surgimento de investigação inovadora nesta doença rara”, diz a directora-executiva da PRF, Audrey Gordon

Por seu lado, Heather Kudzia, presidente da Carly Cares – instituição com o nome da sua filha de cinco anos, diagnosticada com progeria –, explica que a sua organização “angaria verbas para financiar investigação que prolongue a vida dos doentes e tenha um impacto positivo nas famílias. A organização não poderia estar mais orgulhosa por apoiar este estudo”.

Em Portugal há três crianças sinalizadas com esta doença rara pela Associação Raríssimas. A mortalidade é provocada por problemas cardíacos resultantes da arteriosclerose (espessamento e endurecimento das paredes das artérias), associada tipicamente à velhice, podendo ocorrer logo aos dez anos de idade em crianças com progeria. 
As capacidades mentais destas crianças permanecem intactas, apesar de terem um corpo envelhecido, caracterizado, por exemplo, por rugas, perda de cabelo, problemas nas articulações e perda de massa muscular. 

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