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Reitor do santuário de Fátima diz que poder político envergonha-se de Fátima
Fátima é um dos grandes destinos turísticos portugueses

Reitor do santuário de Fátima diz que poder político envergonha-se de Fátima

Fátima é um dos grandes destinos turísticos portugueses Shutterstock Jornal i 13/10/2015 09:41

A aposta na promoção externa a este local de peregrinação é "muito insuficiente", lamenta o reitor.

O reitor do Santuário de Fátima, padre Carlos Cabecinhas, considerou esta terça-feira que “o poder político continua a envergonhar-se de Fátima” e que a aposta na promoção externa do principal local de peregrinação do país é “muito insuficiente”.

“O Santuário de Fátima cresceu com ofertas dos peregrinos e não com apoios do governo e, nesse sentido, manteve sempre uma distância e uma independência em relação ao poder político”, começou por dizer à agência Lusa Carlos Cabecinhas.

Esta posição “não significa uma indiferença”, nem que não tenha “expectativas em relação àquilo que deveria ser o olhar do poder político para a importância de Fátima hoje em dia”, continuou o sacerdote, quando questionado se gostaria de um outro olhar do poder político para a cidade-santuário que, em 2017, comemora o centenário das aparições.

“Reconhecemos, actualmente, o relevo que o Turismo de Portugal vai procurando dar ao turismo religioso e, concretamente, o Turismo Centro de Portugal ao fenómeno de Fátima. Continuamos a reconhecer que é muito insuficiente a aposta na divulgação externa de Fátima e que isso depende do poder político”, declarou o responsável.

À margem da peregrinação internacional aniversária de Outubro, que esta terça-feira termina ao Santuário de Fátima, no distrito de Santarém, coincidindo com o Dia Nacional do Peregrino, que se assinala pelo segundo ano, o reitor sustentou que “o poder político português continua a envergonhar-se de Fátima e isso é embaraçoso”.

“Embaraçoso porque Fátima é um dos grandes destinos turísticos portugueses, é um dos grandes cartões-de-visita e a verdade é que o poder político continua a envergonhar-se de Fátima e a querer calar esse fenómeno que é inegável” no país, defendeu.

Carlos Cabecinhas expressou o desejo de que “haja, de facto, uma aposta sincera, real, verdadeira naquilo que é a potencialidade de Fátima”, notando não se pretender que o Estado perca a laicidade, mas que reconheça a existência de “todo um valor de um turismo religioso que se dirige a Fátima e que deve ser assumido pelo poder político como não tem sido até agora”.

Sobre as comemorações do centenário dos acontecimentos na Cova da Iria, o reitor realçou que o próximo ano é já de celebração.

“Em 2016 estaremos já, plenamente, a celebrar o centenário das aparições do Anjo que prepararam as aparições de Nossa Senhora”, afirmou, explicando que o programa do templo para o próximo ano “ajudará os peregrinos a concentrarem-se nessa dimensão religiosa”, mas que o santuário vai apresentar, também, propostas a nível cultural.

Questionado sobre que prenda o santuário mais deseja para 2017, o reitor apontou que para Maio desse ano há já uma “prenda prometida”, a visita do papa Francisco.

“No entanto, um santuário vive da presença de peregrinos, peregrinos muito conhecidos como o papa Francisco ou peregrinos anónimos”, declarou, considerando que “a grande prenda para o Santuário de Fátima, em centenário ou noutro momento, será sempre a visita e a presença de peregrinos”, que é a “razão de ser de um santuário”.

Lusa

 

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