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Geração Marte. Estas miúdas vão acampar no planeta vermelho
Astronaut Abby

Geração Marte. Estas miúdas vão acampar no planeta vermelho

Ana Kotowicz 10/10/2015 11:56

São adolescentes, focadas, falam como gente grande e ambas sonham ser a primeira mulher em Marte. Nas redes sociais encontram-se muitos aspirantes a astronautas e a #MarsGeneration já é uma hashtag trendy.

– O que queres ser quando fores grande? 
– Astronauta.
– Que querida. A minha filha quer ser sereia. 



Era mais ou menos esta a reacção que Abigail Harrison recebia quando era miúda e dizia aos crescidos a sua profissão de sonho. Ninguém a levava a sério. Ser astronauta estava na mesma categoria que ser princesa ou cowboy. Profissões imaginárias de que os miúdos se curariam com o tempo. Mas com Abigail não foi assim. A mãe – conforme contou Abby quando falou nas conferências TedxTalk, um palco a que muitos adultos aspiram e a que poucos chegam – foi a primeira a acreditar no seu sonho. Foi ela quem a levou até à Florida para assistir ao lançamento da Endeavour STS 134. Se não tivesse ido, talvez Abby não conhecesse o astronauta da ESA Luca Parmitano, que hoje é o seu mentor. Na altura, 2011, tinha 13 anos e acabara de criar a sua personagem da net: a Astronaut Abby

“Conheci o Luca quando tinha 13 anos e foi uma das minhas maiores inspirações ao longo dos anos. Ser astronauta é um sonho que consome imenso tempo e dedicação. Saber que alguém que já cumpriu esse sonho acredita em mim é o melhor presente que podia ter”, conta Abby ao i. Luca, com quem ainda hoje, aos 18 anos, mantém contacto, acreditou mesmo na jovem americana. Dois anos depois, Abby viajava até à Rússia, a convite do mentor, para assisitir ao lançamento da Soyuz-TMA-09M. Abby ficou encarregue de ser a ligação à terra de Luca: enquanto ele estava no espaço, ela partilhava na net o que Luca fazia e pensava. 

Hoje, o seu currículo é impressionante. Construiu robots aos 9 anos, escreveu no blogue da NASA aos 13, e falou nas Tedxtalk aos 15. O seu discurso é  focado e pouco tem a ver com o de outras adolescentes. Já terminou o liceu e agora planeia estudar microbiologia e física. No meio de tanta coisa, já viveu um momento perfeito? “Até agora foi provavelmente assistir ao teste do primeiro voo de exploração da Orion –  a aeronave que a NASA está a desenvolver e que me levará a mim e à minha geração até Marte num futuro próximo.”

Com tantas oportunidades – que Abby atribui ao facto de ser tão vocal em relação ao seu sonho – duvidamos que o seu dia-a-dia seja parecido com o de outras teenagers. “Uma série de coisas são iguais. Tenho amigos, ando no escola, faço desporto. O truque para ser aspirante a astronauta e levar uma vida normal tem sido conseguir ligar os dois aspectos. Ter uma vida variada e dinâmica é importante quer para uma cientista quer para uma astronauta – ajuda a desenvolver a tua capacidade de pensar fora da caixa.”

Em Itália Do outro lado do Atlântico, em Turim, Itália, Giulia Bassani, de 16 anos, encontra algumas diferenças entre si e as raparigas da sua idade. “Faz-te diferente porque te sentes diferente. No meu caso, os meus amigos iam a discotecas ou a pubs para se divertirem e eu não ia com eles. Pensava: Se quero ser astronauta não posso fumar e beber álcool.”

O seu percurso académico, tal como o de Abby, tem sido focado no objectivo de ir ao espaço. “Escolho sempre o que penso que me fará chegar mais perto do meu objectivo. Tornar-me astronauta é muito difícil e se quero conseguir tenho de começar a trabalhar já”, diz ao i. Por exemplo, já começou a aprender russo porque, diz, é a segunda língua oficial a bordo da Estação Espacial Internacional. “Não é um requerimento para te tornares astronauta porque durante o treino na NASA todos aprendem russo. Mas será bom para mim começar a aprender o mais rápido possível, para no futuro me poder focar noutras coisas.”

Para Giulia – Astro Giulia na net –  o ponto de viragem em que ser astronauta deixou de ser um sonho de criança foi quando, já no liceu, soube da história de Samantha Cristoforetti. “Era apenas uma miúda italiana, na escola primária, numa esquina de uma pequena cidade. Mas quando fui para o liceu e descobri que a primeira mulher italiana tinha chegado à Estação Espacial Internacional, percebi que se calhar não era tão distante quando eu pensava. Foi aí que disse pela primeira vez: Quero ser astronauta. Tinha quase 15 anos e estava a falar a sério.”

Abby e Giulia não têm dúvidas de que a sua será a Geração Marte, uma hashtag  que ambas partilham nas redes sociais quando, por exemplo, publicam fotografias com alguns dos astronautas e pessoal da NASA que têm conhecido. 

“Aterrar lá é o próximo grande desafio na exploração espacial e é um desafio que a minha geração está mais do que pronta para superar”, diz Abby. E Giulia assina por baixo: “O Buzz Aldrin é da Geração Lua e a minha é a Geração Marte. Sinto que vamos pôr lá os pés muito rapidamente.”

Rapidamente, quando? 2030, dizem as duas. Mais rapidamente acertam nesta data do que no Euromilhões. 

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