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Nobel. O que são neutrinos e porque são tão fascinantes?

Nobel. O que são neutrinos e porque são tão fascinantes?

Marta F. Reis 07/10/2015 18:01

"Somos um passe-vite de neutrinos”, diz Carlos Fiolhais.

O que são neutrinos?

Um dos três blocos fundamentais do Universo. Se perguntarmos de que são feitas as coisas, tudo mas mesmo tudo o que existe – incluindo nós próprios – é feito de três peças: electrões, quarks e neutrinos. Estes não têm carga eléctrica, daí o seu nome que signifca pequena neutro.

É o quarto Nobel em torno deles. Por que são tão fascinantes?

São as partículas mais pequenas, mais difíceis de apanhar mas ao mesmo tempo das mais abundantes. Conhecem-se desde os anos 30, só foram “vistas” nos anos 50 e só há 15 anos sabemos que têm massa. Isso resultou do trabalho dos investigadores agora premiados, que em grandes detectores mostraram que os neutrinos oscilam entre três sabores, o que só é possível tendo massa.

Descoberta que abalou os alicerces da física de partículas.

Sim, foi um dos abalos ao modelo-padrão. A massa tem de ser muito pequena, ou não andariam quase à velocidade da luz, mas foi uma complicação porque até então estava tudo arrumadinho e deixou de estar. Terem massa veio estragar o arranjo.

Quais são os efeitos práticos destas descobertas?

Estamos a falar de conhecimento fundamental, mas a história da ciência tem levado sempre à resolução de problemas da vida quotidiana, mesmo que demore. Até os próprios detectores e a forma como funcionam pode vir a revelar-se útil noutras áreas, como o foi a viagem à Lua ou as experiências em aceleradores como o CERN, que têm possibilitado avanços médicos ou na engenharia.

Um físico que visualiza este tipo de partículas encara o mundo de outra forma?

Há mais do que vemos, isso é certo. Ninguém diga que neutrinos não é consigo: as pessoas pensam que o mundo são só elas quando no fundo somos todos um passe-vite de neutrinos. É caso para perguntar ao leitor: já foi atravessado por quantos neutrinos hoje? São biliões por segundo, é um número impressionante. É das coisas mais familiares que temos.

Carlos Fiolhais
Fisico e Professor na Universidade de Coimbra

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