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António Capucho. “A campanha mostrou que há muitas feridas por sarar no PS”

António Capucho. “A campanha mostrou que há muitas feridas por sarar no PS”

Jornal i 30/09/2015 15:20

António Capucho. Histórico do PSD e apoiante de António Costa.

Deu o apoio a António Costa na convenção do PS. Surpreende-o o facto de o PS não ter conseguido descolar nas sondagens? Sou muito céptico em relação a todas estas sondagens.
De qualquer maneira, o que me parece é que o PS se deixou enredar numa campanha eleitoral tecnicamente bem montada pela coligação PàF, porque qualquer cidadão comum assiste, não ao debate de ideias de cada um dos concorrentes, mas ao debate em exclusivo sobre o programa do PS. Não se discute os últimos quatro anos, seja a emigração, sejam os cortes nos salários dos funcionários públicos, o desemprego, que está em níveis altíssimos...

António Costa também cometeu erros na campanha ou não?
Apesar de algumas tropelias na campanha que afectaram o PS, desde a história dos cartazes à forma como foi apresentada uma candidatura presidencial, o erro de fundo que o PS cometeu foi tentar radicalizar a sua mensagem procurando mais o voto útil da esquerda do que de toda aquela massa muito significativa de indecisos que estão no centro do espectro político.

O facto de existirem socialistas a expressar dúvidas sobre a eficácia da campanha não prejudicou o PS?
A coligação apresentou-se coesa. OPS é exactamente o contrário. Há vários dirigentes que aparecem na primeira página dos jornais a pôr em causa as orientações do PS. Isso pode afastar um conjunto de eleitores indecisos. Para além do próprio lançamento de uma candidatura extemporânea à Presidência da República que abalou a unidade. Um partido que se apresenta a eleições tem de mostrar que está unido.

O que o levou a apoiar António Costa? É de longe mais apto para a função de primeiro-ministro e de longe o único que tem um programa credível. A coligação não tem programa e não tenho dúvida de que será mais do mesmo. Se eu fosse consultor da campanha de António Costa, dir-lhe-ia que se concentrasse no centro do espectro político e que não radicalizasse. Por exemplo, que não ameaçasse chumbar o Orçamento. O eleitorado moderado quer estabilidade e tudo o que seja ameaçar a estabilidade é negativo.

Acha que o PS vai ganhar?
Não estou muito seguro de quem possa ganhar, mas vai ser muito complicado, ganhe quem ganhar. Se António Costa ficar à frente e for chamado a formar governo, terá a capacidade de governar através de acordos multifacetados, quer à esquerda quer à direita.

Com um governo minoritário?
Um governo minoritário, vamos ter. Não tenhamos ilusões. À direita, as coisas ainda se tornam mais difíceis. Na prática, o que teremos é uma coligação vitoriosa com a maioria dos eleitores contra – dispersos por vários partidos, mas contra. Não será nada fácil governar com trinta e tal por cento e tudo o resto contra. A única hipótese, no caso de Passos Coelho vencer, seria haver uma alteração na liderança do PS.

Se o PS perder, dificilmente Costa ficará na liderança...
Esta campanha mostrou que no PS há muitas feridas por sarar. É natural que exista uma reacção interna com o objectivo de mudar a liderança, mas ainda é cedo para falar sobre isso.

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