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Associação afasta produtos certificados da marca associada ao botulismo
Foram detectados três casos de botulismo com alheiras este mês

Associação afasta produtos certificados da marca associada ao botulismo

Foram detectados três casos de botulismo com alheiras este mês Shutterstock Jornal i 28/09/2015 18:55

Encomendas aos maiores produtores de alheira de Mirandela foram canceladas durante o dia de hoje.

A Associação Comercial e Industrial de Mirandela (ACIM) emitiu esta segunda-feira um comunicado a desvincular os produtos certificados transmontanos da marca comercial “Origem Transmontana” associada a três casos de botulismo em Portugal.

A associação, que é a gestora da Alheira de Mirandela, escolheu este meio para “clarificar que é necessário institucionalmente esclarecer os clientes, consumidores e todos os agentes económicos que ‘Origem Transmontana’ é apenas uma marca comercial e que não pode desvirtuar a qualidade, o rigor de produção e a confiança nos produtos do território de Trás-os-Montes”.

Esta entidade sublinha que os produtos certificados transmontanos “são devidamente acompanhados pelas entidades certificadoras, cumprindo escrupulosamente com as normas de produção regulamentadas”.

“O compromisso dos produtos de Trás-os-Montes com os consumidores é total e continuará a ser”, conclui.

A posição da ACIM surge depois de uma reunião de emergência com os maiores produtores de alheira de Mirandela, que durante esta segunda-feira viram encomendas canceladas e foram confrontados com dúvidas de consumidores e clientes.

Produtores ouvidos pela Lusa reclamaram medidas urgentes para esclarecer os consumidores, defendendo que “uma marca (comercial) não pode por em causa uma região.

A conhecida Alheira de Mirandela é um dos produtos com maior peso económico na região, representando um volume de negócios anual de cerca de 30 milhões de euros por ano, segundo dados oficiais.

Uma das principais produtoras, a empresa Alheiras Angelina, adiantou à Lusa que teve hoje bloqueadas encomendas equivalentes a uma semana de produção, entre seis e oito toneladas de enchidos, devido à associação das alheiras da marca “Origem Transmontana” aos casos de botulismo.

Um comunicado conjunto da Direcção-Geral da Saúde, Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária, Autoridade de Segurança Alimentar e Económica e Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge dava conta, no sábado, de que foram detectados este mês três casos de botulismo alimentar.

A origem destes casos de doença foi associada à ingestão de produtos alimentares fumados (alheiras), comercializados com a marca "Origem Transmontana” e, após investigação, as autoridades decidiram retirar de imediato do mercado os produtos à base de carne e os queijos da marca "Origem Transmontana”.

Na nota de imprensa emitida é explicado que o botulismo alimentar é uma doença grave, de evolução aguda, com sintomas digestivos e neurológicos, resultante da ingestão de diversos tipos de alimentos, contendo toxinas formadas pelo Clostridium botulinum no próprio alimento.

A Lusa contactou o responsável da marca comercial envolvida na polémica do botulismo que não quis prestar declarações, adiantando, porém, que tem “estado em contacto permanente com as autoridades, a colaborar em tudo, e com clientes e produtores/fornecedores”.

A empresa em causa foi criada para comercializar "o que de melhor se produz na região", desde fumeiro, compotas, queijos, comprados a produtores ou de produção própria e vendidos com a marca "Origem Transmontana".

Lusa

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