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Oktoberfest. Ou simplesmente Wiesn para os locais

Oktoberfest. Ou simplesmente Wiesn para os locais

J.P.GANDUL/EPA Jorge Garcia 23/09/2015 17:13

Sábado teve início o festival de cerveja mais emblemático do mundo, com mais de 200 anos de história. Tudo obra de um rei, Luís I da Baviera  

Em Roma sê romano”, já dizia o provérbio que serve na perfeição para ilustrar o espírito da Oktoberfest. Nos dias que antecederam o festival de cerveja mais importante do mundo, que se realiza todos os anos em Munique, nada nem ninguém era indiferente ao tema. A começar pelas lojas, mesmo as grandes marcas internacionais, que criaram linhas de roupa específicas, de gosto duvidoso mas que fazem todo o sentido para a ocasião.

A Oktoberfest é um festival que atrai milhões de visitantes de todo o mundo, mas não se pense que a ideia original era beber cerveja como se não houvesse amanhã. Antes que Luís I da Baviera dê mais voltas no túmulo, é preciso explicar que esta festa teve início em 1810, com o intuito de celebrar o seu casamento. As roupas tradicionais que ainda hoje se usam, e que são olhadas com desconfiança por quem vem de fora, eram as melhores que cada bávaro tinha em casa.

Ah, e quem é de Munique diz apenas Wiesn. Isso de Oktoberfest é para quem vem de fora.

É muito difícil ir a Munique nestes dias, pelo menos no tradicional sistema de comprar um voo e marcar um hotel. Tudo está inflacionado. Ficar em casa de amigos e deixar a cidade no dia da inauguração foi a solução. Mesmo assim, deu para sentir o espírito. Enquanto caminhava para o recinto, ainda me sentia orgulhoso da minha roupa de civil. Pouco depois, já numa das tendas, que para a realidade portuguesa era um pavilhão, senti-me envergonhado.

Só os seguranças estavam vestidos de forma casual, o que me levou a pensar que talvez pudesse ser perdoado pela minha inexperiência. Vá, e por não estar disposto a dar centenas de euros por umas horas de festa. Por ter chegado às 11h ainda consegui entrar numa tenda, embora fosse já impossível encontrar mesa. A cerveja só seria servida após a cerimónia de abertura, ao meio-dia.

A primeira pipa foi inaugurada e seguiu--se uma breve introdução dos amigos a viver em Munique: “Quando os transportadores de cerveja aparecerem, sai imediatamente da frente!” Rapidamente percebi o porquê quando deixei escapar um “cuidado!” em alemão e fui abalroado por uma senhora com 12 canecas de litro nas mãos. Sim, só há cervejas de litro, e só quem está a trabalhar pode ir à fonte buscá-las, não tendo qualquer piedade com quem apareça à sua frente. O preço da cerveja parece vergonhoso – 10,30 euros. Com a típica gorjeta, cada cerveja fica à volta dos 12 euros, o que permite aos bravos transportadores amealharem cerca de 30 mil euros em apenas duas semanas de festa (termina a 4 de Outubro).

No início, só as pessoas nas mesas são servidas, o que faz qualquer turista estreante começar a pensar na razão pela qual aquele festival é tão aguardado. Mas é preciso ter calma, até porque o ritmo vai abrandar e todos vão ter direito a cerveja. E convém não apressar as coisas, até porque não é recomendado passar dos dois litros, e não é pelo dinheiro. 

Com muito álcool no sangue, à boleia da música que obriga a brindar e que é tocada frequentemente pela banda na tenda, toda a gente já se conhece e qualquer um faz o jeitinho de oferecer um pouco da sua cerveja. Também há comida, mas essa costuma ser ignorada até ao final, quando é preciso compensar o excesso de álcool. Uma salsicha gigante, já cá fora, num recinto que parece uma feira, fez lembrar as nossas farturas. Foi remédio santo antes de apanhar o voo para Lisboa, o tal que obrigou a uma despedida da festa demasiado cedo, para o bem ou para o mal.

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