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Patti Smith. O disco mais pedido toca sempre duas vezes
Patti Smith podia pintar o cabelo mas prefere ser como é

Patti Smith. O disco mais pedido toca sempre duas vezes

Patti Smith podia pintar o cabelo mas prefere ser como é Walter Bieri/AP Miguel Branco 21/09/2015 11:56

Depois de o ter feito no NOS Primavera Sound, a artista desloca-se hoje até à capital para apresentar “Horses”.

O que fazemos quando, à distância, olhamos uma data com importância significativa? Sim, quando estamos em 2015 e, por cima do ombro, espreitamos o que nos deu 1975, ainda que – no nosso e noutros casos – só o possamos fazer com recurso à tecnologia, que recorrer à memória quando não estávamos lá para contar não serve de muito. 

Daí que seja, a nosso ver, necessário seguir uma ordem. A 4 de Abril de 1975, Bill Gates e Paul Allen fundavam a Microsoft, um pontapé de saída que, à data, ninguém julgou ser coisa de interesse – o que dizer agora? Da tecnologia para as independências: Vietname em Abril, Moçambique em Junho, Cabo Verde e SãoTomé e Príncipe em Julho, Angola em Novembro. Também houve mortes, Pier Paolo Pasolini é assassinado a 2 de Novembro, 18 dias antes da morte do general Francisco Franco. Mude-se a temática para uma realidade mais aproximada. Na música: os AC/DC editam o álbum de estreia “High Voltage”, a 17 de Fevereiro; os Led Zeppelin lançam “Physical Graffiti” a 24 do mesmo mês, um dos discos mais essenciais do rock. Presumimos que o caro leitor já esteja entediado de tantas datas, mas não foi por falta de aviso, nem sequer escolhemos nada disto ao acaso. É que talvez a mais importante data do ano de 1975 – pelo menos visto daqui, e com a confiança de que não somos os únicos a partilhar desta opinião – se refira ao dia 13 de Dezembro. Foi num sábado, pela Arista, que Patti Smith editou o seu primeiro disco, “Horses”, artefacto que viria a alterar o curso da história do punk e do rock – falem agora ou calem-se para sempre. 

Por essa altura, Patti Smith – em conjunto com os seus camaradas de banda Lenny Kaye, Ivan Kral, Jay Dee Daugherty e Richard Sohl – dividia a atenção da cena dos clubes nova-iorquinos a meias com os Blondie e com os Ramones. Belos rivais estes que escreviam severas linhas, a direito e em bold, no manual do punk. Agora, com 40 anos de idade, “Horses” cavalga por esse mundo fora com uma digressão mundial que até já passou por Portugal, no NOS Primavera Sound.

Agora noColiseu dos Recreios, em Lisboa, Patti Smith vem apresentar o disco que a fez dizer à partida (como forma de acenar ao mundo e dizer “olá, sou a Patti Smith”): “Jesus morreu pelos pecados de alguns, não pelos meus.” 

Gravado nos estúdios Electric Lady e produzido por John Cale, já na altura ex- -Velvet Underground (depois da sua saída da banda em 1968), “Horses” marcou a carreira de Patti Smith. Foi a partir daqui que o mundo acordou para alguém com uma consciência cívica superior, para um cuidado com a palavra raramente visto – a sua obra literária assim o prova –, para alguém que parecia acreditar que ela própria era apenas um pequeno pedaço do que existe. É precisamente por isto que é difícil nomear alguém que tenha tido a ousadia de a criticar. Talvez mesmo essa pessoa fosse hoje ao Coliseu. 

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