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Ana Sá Lopes 21/09/2015
Ana Sá Lopes
Política

ana.lopes@ionline.pt

Repitam todos agora: “Portugal não é a Grécia”

“A esquerda não percebeu a traição de Tsipras”. A direita não percebeu o seu sucesso. Um enigma internacional.

© Yannis Kolesidis/EPA

As eleições gregas decretaram ontem a vitória do Syriza novo, “pasokizado”, a morte do Syriza velho (aquele que foi eleito para recusar um programa de austeridade e que se bateu pelo “não” no referendo) e a vitória pessoal de um novo líder social-democrata chamado Alexis Tsipras.

O Syriza velho, que rompeu com Tsipras e fez um novo partido – que Varoufakis apoiou –, não conseguiu eleger um único deputado. A Nova Democracia manteve os níveis de derrota de Janeiro, provando que as sondagens dos “empates técnicos” estão a transformar-se numa anedota mundial.

O interessante destas eleições gregas, a decorrerem no arranque da campanha oficial das eleições portuguesas, é que se tornaram um incómodo gigantesco para a política interna. Até parece que agora são todos os partidos em uníssono a gritar: “Portugal não é a Grécia”, um dos mantras mais conhecidos de Passos Coelho.

A vitória de Tsipras não é um conforto para Passos: muito embora ele seja um ex-radical, a adesão do povo grego ao homem que se bateu na Europa (e perdeu) é uma derrota para quem criticou os que andam “a syrizar” e festejaria hoje um resultado positivo da Nova Democracia.

Na reacção aos resultados gregos, Passos reclamava que a Grécia, “infelizmente, tem a perspectiva nos próximos anos de executar um programa que é difícil”. 

O incómodo é visível por todos os lados. A declaração de João Ferreira, eurodeputado do PCP com visíveis capacidades de comunicação, quase nem se percebe, entre o regozijo pela derrota da Nova Democracia e a fúria pelo programa que o vencedor Syriza vai aplicar.

O Bloco mostrou-se longe de euforias: “Evitou-se o pior cenário, que seria voltar a ter um governo da Nova Democracia, o principal responsável na situação em que a Grécia se encontra.” 

Nós não somos a Grécia, parecem hoje gritar todos. Como diz Eduardo Paz Ferreira na entrevista que hoje publicamos, “a esquerda não percebeu a traição de Tsipras”. A direita não percebeu o seu sucesso. Um enigma internacional.


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