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Físicos de Aveiro explicam rotação caótica de luas de Plutão
Rotação foi descoberta há dois meses por cientistas norte-americanos

Físicos de Aveiro explicam rotação caótica de luas de Plutão

Rotação foi descoberta há dois meses por cientistas norte-americanos Shutterstock Jornal i 17/09/2015 13:01

Físicos da Universidade de Aveiro encontraram explicação para a “rotação caótica” de quatro das luas de Plutão.

Rotação foi descoberta há dois meses por cientistas norte-americanos, anunciou hoje fonte académica.

Em Junho, uma investigação conduzida pelos cientistas Mark Showalter (Instituto SETI) e Doug Hamilton (Universidade de Maryland), dos Estados Unidos, desvendou que a rotação das luas Nix, Hydra, Kerberos e Styx, ao contrário do que acontece com as luas até agora descobertas de grande parte dos planetas, não é constante e varia de forma imprevisível ao longo do tempo.

Agora físicos da Universidade de Aveiro encontraram explicação para o fenómeno da sua “rotação caótica”, que é revelada no último número da revista científica "Astronomy & Astrophysics Letters".

Uma equipa internacional liderada pelo Departamento de Física da Universidade de Aveiro debruçou-se sobre a “estranha rotação” das quatro luas de Plutão e encontrou o motivo aplicando as leis da física.

Segundo Alexandre Correia, coordenador da investigação e especialista em sistemas solares, planetas extra-solares e física planetária, dois factores distinguem essas pequenas quatro luas de todas as outras, nomeadamente de Caronte, a outra lua de Plutão que tem uma rotação regular.

“Devido às quatro luas em causa serem corpos de pequenas dimensões com diâmetros inferiores a 50 quilómetros, elas assemelham-se mais a asteróides em forma de batata do que a corpos esféricos como a Lua da Terra e têm sempre por isso, um eixo mais alongado”, explica.

Outro dos factores que fazem Nix, Hydra, Kerberos e Styx um conjunto único no sistema solar, adianta Alexandre Correia, “é que, ao contrário das quatro pequenas luas, a maior lua de Plutão, Caronte, é quase tão grande como Plutão, pelo que, tecnicamente, o sistema Plutão-Caronte deve ser classificado como um sistema binário [sistema com dois corpos de dimensão semelhante que orbitam em torno do centro de massa comum] e não de sistema Planeta-Lua”.

“Se Caronte não existisse, as pequenas luas iriam evoluir por efeito de maré até ficarem síncronas com Plutão, como seria de esperar e, se só existisse Caronte, as pequenas luas iriam apontar o eixo maior na direcção de Caronte até, igualmente, ficarem síncronas com esse corpo celeste”, expõe.

O que se passa, segundo o investigador, é que como existe Plutão e Caronte, “as pequenas luas ficam ‘indecisas’ e umas vezes tendem a apontar o eixo maior para Plutão, outras vezes para Caronte, dependendo de quem passou mais próximo” e essa alternância tem como consequência uma rotação irregular das pequenas luas, pois elas nunca conseguem chegar a ficar síncronas nem com Plutão nem com Caronte”.

Lusa

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