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Jorge Sampaio. Tragédia síria não deve ser encarada como problema alheio
“quaisquer iniciativas que tenham por objectivo acolher e criar oportunidades de futuro para os refugiados sírios devem ser estimuladas e apoiadas”

Jorge Sampaio. Tragédia síria não deve ser encarada como problema alheio

“quaisquer iniciativas que tenham por objectivo acolher e criar oportunidades de futuro para os refugiados sírios devem ser estimuladas e apoiadas” Miguel A. Lopes/Lusa Jornal i 16/09/2015 20:15

Pronunciou-se o antigo presidente da república ao assinar um protocolo pelo qual cinco jovens sírios irão vir estudar para Portugal.

O ex-presidente Jorge Sampaio defendeu esta quarta-feira que “a tragédia síria não deve ser encarada como um problema alheio”, ao assinar com a Universidade Europeia um protocolo pelo qual cinco jovens sírios aí estudarão já a partir da próxima semana. 

“[Com a assinatura deste protocolo,] estamos perante um muito feliz conjunto de circunstâncias, que contraria a inércia e as delongas que têm marcado a vida do povo sírio e, neste caso, a sua população jovem, que todos os dias vê apagar-se sempre mais a esperança de um regresso a uma vida normal, em paz e segurança, e um retorno ao seu quotidiano digamos usual, pautado pelos ritmos académicos e pela confiança num futuro melhor”, declarou Jorge Sampaio. 

Trata-se de uma iniciativa da Plataforma Global de Assistência Académica de Emergência a Estudantes Sírios, promovida em Portugal pelo antigo chefe de Estado português, que falava na cerimónia de início do ano lectivo 2015/2016 de acolhimento aos novos alunos da Universidade Europeia, em Lisboa. 

“De facto, a tragédia síria não deve ser encarada como um problema alheio nem uma questão extrínseca, que não nos diz respeito. Como europeus, herdeiros de um acervo humanista que coloca a dignidade da pessoa humana no centro do Direito e dos direitos, da Ética e do imperativo ético existencial, a questão do destino dos refugiados sírios tem de nos interpelar”, sustentou. 

“Tenho a esperança de que a Europa possa responder de acordo com os seus princípios e a sua riqueza fundadora. Não é uma matéria fácil, é uma matéria muito difícil, mas é preciso ter uma grande coordenação global, ao nível dos países europeus, e dentro de cada país também: as entidades disponíveis devem coordenar-se entre si e não andarem todas a correr umas atrás das outras, como às vezes é típico”, afirmou. 

Esse esforço, Sampaio classificou-o como “magnífico, de uma disponibilidade magnífica” e sublinhou que “não há que ter receios, há que sobretudo procurar integrá-los (os refugiados) da melhor maneira possível”. “É a experiência que temos feito e que, do ponto de vista académico, tem sido altamente positiva”. 

Questionado pela Lusa, João F. Proença, reitor da Universidade Europeia, onde os cinco estudantes sírios frequentarão, com uma bolsa, o curso de Gestão e Turismo, considerou que Portugal “pode claramente contribuir para dar apoio, permitindo criar condições para que eles possam mais tarde reconstruir a Síria que, como se sabe, está em grandes dificuldades”. 

Para Jorge Sampaio, “quaisquer iniciativas que tenham por objectivo acolher e criar oportunidades de futuro para os refugiados sírios devem ser estimuladas e apoiadas”. 

E, neste caso, acrescentou, o foco está “nos jovens estudantes do ensino superior que a guerra obrigou, de uma forma trágica, a interromper os seus estudos”.

“Quando pensamos que quando a paz voltar – e não sabemos quando será -, será preciso reconstruir um país e dispor de novas lideranças bem apetrechadas para dar rumo a uma sociedade desfeita, torna-se por demais evidente que é agora, no presente, que temos de começar a preparar o futuro”, frisou. 

“É-me grato anunciar que estamos a preparar o ingresso de mais cerca de 40 bolsistas neste ano lectivo”, disse Sampaio, recentemente laureado com o Prémio Nelson Mandela, atribuído este ano pela primeira vez pela ONU como homenagem aos defensores dos ideais da organização.

O antigo presidente da República indicou ainda que a Plataforma de que é fundador, em parceria com Conselho da Europa, Liga Árabe, Instituto Internacional de Educação, União para o Mediterrâneo, e alguns governos nacionais, tem, neste momento, à sua responsabilidade cerca de 100 estudantes em dez países, 63 dos quais em Portugal, estando para chegar mais 20, com o apoio do chamado Consórcio Académico, formado por politécnicos e universidades de todo o país.

Lusa

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