18/7/19
 
 
Vítor Rainho 16/09/2015
Vítor Rainho

vitor.rainho@newsplex.pt

Não se deve misturar o que não se pode misturar

Durante muitos anos criticou-se, e bem, a coligação existente entre o Estado Novo e a Igreja, que tinha no cardeal Cerejeira a figura máxima. Aqueles que lutavam por um país livre achavam inadmissível essa associação. Com a chegada da democracia, muitos tentaram abafar o direito à religião, alegando o passado recente. Felizmente, tudo entrou nos eixos. Os católicos puderam seguir a sua fé e os políticos dedicaram-se à política.

A Igreja deve ser a voz dos oprimidos, mas não deve fazer política, pois a religião e o poder constituem uma mistura explosiva, como vemos em estados que professam outras doutrinas. Depois do 25 de Abril, um cónego destacou-se na luta contra o comunismo e tornou-se um símbolo dos bombistas que não aceitavam, diziam eles, uma ditadura vermelha. O país era um autêntico barril de pólvora, mas as armas de um lado e de outro acabaram por voltar às arrecadações. Depois, em meados dos anos 80, um bispo começou a dar nas vistas por revelar a miséria em que milhares de pessoas viviam. Ficou mesmo conhecido como o Bispo Vermelho e as gentes de Setúbal e arredores nunca se esqueceram do que fez por elas. Com o aliviar da pobreza, o católico acabou por se retirar do palco mediático.

A situação que se viveu nos anos 80 nada tem a ver com a actual, pese embora o elevado número de desempregados. Esses, obviamente, são sempre as maiores vítimas das crises económicas, pois quem trabalha, mesmo ganhando mal, tem algum sustento. Mas D. Januário Torgal – um bispo que gosta de se atirar para áreas que não lhe dizem respeito e confunde os seus deveres com interesses políticos – entende que a sua vestimenta católica lhe permite entrar no mundo da política e até no da justiça. Que defenda o partido A ou B não é muito aconselhável, para não misturar o que não deve ser misturado, mas que faça julgamentos populares já é um pouco demais. Por este andar, ainda havemos de ver juízes a dizerem a missa e padres a condenarem arguidos...

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