09/12/2022
 
 
Analistas dizem que refugiados poderão contribuir para o crescimento económico
Mais de 430 mil pessoas atravessaram o Mediterrâneo em direcção à Europa desde o início de 2015

Analistas dizem que refugiados poderão contribuir para o crescimento económico

Mais de 430 mil pessoas atravessaram o Mediterrâneo em direcção à Europa desde o início de 2015 BALAZS MOHAI Jornal i 15/09/2015 18:39

Os países europeus confrontados com a maior crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial poderão beneficiar de um crescimento das suas economias caso permitam a instalação dos migrantes, referiram hoje diversos analistas.

Mais de 430 mil pessoas atravessaram o Mediterrâneo em direcção à Europa desde o início de 2015. Cerca de 2.750 morreram durante a travessia, e um número superior chega diariamente, sobretudo às costas da Grécia e Itália, muitos em fuga de zonas de guerra na Síria, Iraque, Afeganistão, Iémen.

Este desafio colocou a Europa em busca de respostas, com diversos Estados-membros da União Europeia (UE) a discordarem na segunda-feira da proposta destinada a distribuir 120 mil refugiados e aliviar a pressão dos Estados mais vulneráveis que enfrentam este importante deslocamento populacional.

Mas segundo analistas citados pela agência noticiosa AFP, o impacto económico deste movimento de refugiados em direcção à Europa é reduzido, e pode mesmo vir a revelar-se positivo.

Receber os refugiados permite à Europa “não apenas honrar a sua posição de União democrática que é rica e respeitadora da tradição, mas também expandir as suas perspectivas de crescimento”, refere num recente relatório Patrick Artus, economista do banco de investimento francês Natixis.

Holger Schmieding, economista do banco de investimento alemão Berenberg assinala que a chegada dos refugiados pode provocar um impulso económico na zona euro de 0,2% e apenas na segunda metade de 2015.

Os migrantes desempenham uma importante função na expansão económica e em períodos de declínio, assegura por sua vez a historiadora Nancy Green, investigadora na Escola de estudos avançados em Ciências Sociais em Paris.

Os novos imigrantes geralmente garantem emprego em sectores onde as condições são consideradas insatisfatórias pelos trabalhadores locais, ao citar as indústrias do têxtil ou da metalurgia do séculos XIX e XX e as actuais indústrias de serviços.

“No século XXI o nosso continente pode e deverá tornar-se numa grande terra para a imigração”, sustentou o influente economista francês Thomas Piketty num recente artigo publicado no diário Libération.

De acordo com um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), os custos nos orçamentos nacionais também serão mínimos.

“O impacto das crescentes vagas de migração que nos últimos 50 anos têm chegado aos países da OCDE está perto do zero”, sublinha o relatório ao citar estudos recentes que demonstram que o custo ou o benefício para as finanças públicas raramente ultrapassam os 0,5% da produção económica total.

Por sua vez, a agência de notação financeira Standard & Poor's também assinala num recente estudo que a crise de refugiados poderá revelar a inabilidade da UE em encontrar soluções de cooperação e distrair de outros desafios.

“Caso seja mal gerida, a abordagem europeia à resolução do afluxo de refugiados pode conduzir ao aumento do populismo e da xenofobia, e fazer divergir a atenção sobre as reformas estruturais e orçamentais”, lê-se no relatório.

Lusa 

Ler Mais

Os comentários estão desactivados.


Especiais em Destaque

iOnline

iOnline
×

Pesquise no i

×
 


Ver capa em alta resolução

iOnline