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O que se passa em Veneza não fica em Veneza. Vai até à América Latina
Johnny Depp e a mulher, Amber Heard, a atracção principal da passadeira vermelha. Até houve quem acampasse ali só para vislumbrar uma mão a acenar

O que se passa em Veneza não fica em Veneza. Vai até à América Latina

Clara Silva 14/09/2015 16:47

“Desde Allá”, filme de estreia do venezuelano Lorenzo Vigas, ganhou o Leão de Ouro do Festival de Cinema de Veneza, que terminou no fim-de-semana. Pelo meio, as atenções repartiram-se entre Johnny Depp e a Netflix.

Quase um ano depois do casamento de George Clooney e Amal Alamuddin – para quem está a pensar ir ao calendário confirmar a data, foi a 27 de Setembro, não nos enganámos –, o Festival de Cinema de Veneza conseguiu voltar a estar no centro das atenções e recuperar o estatuto de evento mais importante da cidade. Ou, enfim, pelo menos o mais hollywoodesco. 

Uma vista de olhos rápida por sites de moda chama-nos a atenção para os melhores looks desta 72.a edição do festival e, se estiver à procura de razões para se entreter e não trabalhar nos próximos minutos, vai ficar a saber que o de Kirsten Stewart, num vestido reluzente Chanel que pôs a actriz tão confortável que até se descalçou para assistir à estreia de “Equals”, o seu novo filme de ficção científica, em competição no festival, foi dos mais elogiados.

Houve o vestido de Diane Kruger, outro de Elizabeth Banks e até “o novo corte de cabelo” de Dakota Johnson. Mas todas essas modas passaram de moda assim que Johnny Depp e a mulher, Amber Heard, pisaram a passadeira vermelha. O casal, que é pouco dado a estas aparições públicas, era esperado com centenas de pessoas acampadas à porta do festival para tentarem vislumbrar uma mão que fosse. Alguns acabaram por ver um beijo “apaixonado”, adjectivo cortesia da “Caras”, embora outro site brasileiro vá mais longe e diga que os dois estiveram “fofíssimos no tapete vermelho”.

Fofíssimo ou não, Depp foi a Veneza para a antestreia do filme “Black Mass”, de Scott Cooper (“Crazy Heart”), um gangster drama que provavelmente o vai pôr na corrida ao Óscar em 2016. Heard também foi ao festival para apresentar o filme “The Danish Girl” – que esteve em competição, mas ficou fora das premiações –, em que contracena com Eddie Redmayne, vencedor do Óscar de Melhor Actor o ano passado, no papel da transexual Lili Elbe.

Em 2014, “Birdman”, de Alejando G. Iñarritu, que também acabou por ganhar o Óscar, foi apresentado em Veneza e a edição do festival deste ano voltou a estar recheada de filmes sobre os quais nos vamos fartar de ouvir falar. Além de “Black Mass”, o festival ainda teve direito às aguardadas antestreias de “Everest”, com Jake Gyllenhaal e Keira Knightley, ou “Spotlight”, de Tom McCarthy, com Michael Keaton e Mark Ruffalo. 

O festival terminou no sábado e, dos 21 filmes em competição, “Desde Allá” (“From Afar”), a estreia do venezuelano Lorenzo Vigas na realização, acabou por levar o prémio máximo, o Leão de Ouro, para o seu país de origem. Aliás, foi à “incrível” Venezuela que Vigas dedicou o prémio. “Tivemos alguns problemas nos últimos tempos, mas estamos muito positivos. Somos uma nação espectacular e vamos começar a falar mais uns com os outros”, disse no discurso de aceitação. 

“Desde Allá”, que também foi o primeiro filme venezuelano a ser escolhido para a competição e o primeiro filme da América Latina a ganhar o Leão de Ouro, conta a história de Armando, um homem gay de meia-idade que vagueia pelas ruas de Caracas à procura da companhia de rapazes mais novos. Um vencedor inesperado, apesar de o filme contar com argumento de Guillermo Arriaga, que já conhecíamos de “Amores Perros” ou “Babel”.

O Leão de Prata, que premeia o Melhor Realizador, também foi para a América Latina, para o argentino Pablo Trapero, com o filme “El Clan”, baseado numa história verídica sobre uma família de sequestradores, e que se tornou o filme mais lucrativo da Argentina logo no fim-de--semana de estreia.

Há quem diga que a premiação do cinema latino-americano nesta edição do festival tem um nome: o do mexicano Alfonso Cuarón (“Gravity”, “Y Tu Mama También”), presidente do júri. Aliás, houve quem lhe perguntasse se a sua nacionalidade teve alguma influência, e Cuarón respondeu que “teve tanta como a do rei da Suécia”. “Mesmo que eu quisesse [apoiar a América Latina], teria de haver uma conspiração maior.”

Charlie Kaufman e Duke Johnson ganharam o Grande Prémio do Júri com “Anomalisa”, filme de animação em stop-motion para adultos que arrancou uma crítica de cinco estrelas ao jornal britânico “The Guardian”. Antes de ganhar forma, o filme do argumentista de “Queres Ser John Malkovich?” começou como um projecto de crowdfunding na plataforma Kickstarter.

Por falar em internet, e também em competição, “Beasts Of No Nation”, a primeira incursão na produção cinematográfica da Netflix, deu nas vistas em Veneza, com realização de Cary Fukunaga, conhecido pela primeira temporada de “True Detective”. Alberto Barbera, director do festival, diz que apesar de este ser o festival de cinema mais antigo, “não pode ignorar” nomes como a Netflix e “talvez a Amazon”, que vão ter “papéis importantes na produção e distribuição de cinema por todo o mundo”. 

 

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